A BP quer deixar o mercado argelino

Redirecionar os negócios para melhor enfrentarem as quedas do petróleo, mas também o aumento das dívidas e as pressões de ordem climática

A britânica BP e italiana ENI estão em negociações sobre o futuro dos seus ativos de petróleo e gás na Argélia, como forma de ambos grupos redirecionarem os seus negócios para melhor enfrentarem as quedas do petróleo, mas também o aumento das dívidas e as pressões de ordem climática, segundo noticia a agência Reuters sem mencionar as fontes.

Recorde-se que as principais empresas de energia da Europa estão a reduzir os seus portfólios de petróleo e gás para manter apenas os ativos com maior probabilidade de serem lucrativos e redistribuir capital numa transição para energia limpa, à medida que aumenta a incerteza sobre a demanda futura por combustível fóssil.

Um bom exemplo disso foi a recente mudança de nome e de visual da gigante petrolífera Total, que agora quer ser conhecida como um grupo global de energia, sobretudo renovável, e não como uma petrolífera.

Tal como Mercados Africanos noticiou, recordamos que no início do mês de maio 2021, a BP e a ENI anunciaram que estavam em negociações para formar uma joint venture para administrar as suas operações combinadas em Angola.

Segundo a Reuters as fontes, que pediram anonimato, disseram que a BP e a Eni estão em negociações iniciais para o grupo italiano assumir os ativos da BP na Argélia.

Ambas as partes estão a explorar uma opção para a BP receber participações em ativos da ENI em todo o mundo, incluindo possivelmente no seu principal desenvolvimento de gás natural liquefeito em Moçambique, disse à Reuters uma das fontes.

Também estudam a ideia de criar uma joint venture nesse país do Norte de África semelhante ao modelo angolano, afirmaram as mesmas fontes, embora ambas BP e ENI não tenham querido comentar.

Se confirmado, o negócio ajudaria a BP a desfazer-se de seus ativos argelinos após os fracassos desde 2019 em vender sua participação de 45,89% na central de gás natural In Amenas.

A BP também detém uma participação de 33% na central de gás In Salah.

Na Argélia, como em Angola, os grupos internacionais que operam ou possuem participações em campos de petróleo e gás ganham direitos (royalties) com lucros fixos com base na produção dos campos, nos chamados acordos de partilha de produção (PSAs na sigla inglesa).

Esta modalidade nesses dois países africanos é menos lucrativos do que em outros lugares e mais difícil de vender.

Para a ENI, maior produtora de petróleo e gás em África, com interesses estratégicos na Líbia e no Egito, a aquisição dos ativos da BP na Argélia tornaria a África do Norte num epicentro de negócios para a petrolífera italiana.

BP e ENI estabeleceram planos para transformar os seus negócios nas próximas décadas, mudando do petróleo e gás para a energia renovável.

No entanto, como a energia renovável gera retornos menores do que o petróleo e gás, as grandes empresas enfrentam um dilema ao procurarem reformar e equilibrar o investimento em novas atividades e ao mesmo tempo mantendo a dívida sob controle e sem dividir os dividendos.

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