Quénia e Etiópia apostam na diplomacia económica

O presidente do Quénia e o PM da Etiópia, não pouparam esforços no processo de concessão de uma licença de telecomunicações para a Safaricom do Quénia.

O presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta, e o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, não pouparam esforços para apoiarem as empresas de telecomunicações nos seus respetivos países no processo de concessão de uma licença de telecomunicações para a Safaricom do Quénia.

Recorde-se que tal como Mercados Africanos tinha noticiado, e após ter encerrado mais de duas décadas de monopólio estatal e abrir o setor de telecomunicações à concorrência a 10 de junho de 2019, a Etiópia concedeu a 22 de maio, uma licença para a implantação de internet 4G e 5G a um consórcio britânico-queniano liderado pela Safricom e a sul-africana Vodacom, subsidiária da gigante britânica Vodafone.

Neste quadro, o consórcio Ethiopia Global Partnership, liderado pela Safaricom, vai investir mais de 864 mil milhões de xelins quenianos (aproximadamente 8,5 mil milhões de dólares) ao longo de 10 anos, tornando-se o maior investimento estrangeiro direto (IED) na economia da Etiópia com uma populacao de mais de 112 milhões de pessoas.

A transformação deste setor potencialmente lucrativo – atualmente controlado pela estatal Ethio Telecom – é um dos pilares da agenda de reformas do primeiro-ministro Abiy Ahmed.

Este acordo é um marco importante no trabalho da diplomacia económica e a política de integração dos dois países.

Esta primeira licença foi atribuída às custas do consórcio liderado pela sul-africana MTN, apoiado pelas gigantes chinesas Huawei e ZTE, elas próprias apoiadas por financiadores chineses e Pequim para serem selecionadas para implantar infraestruturas 4G e 5G.

O consórcio liderado pela Vodafone que foi selecionado conta com o apoio de Washington e Londres e deverá fazer negócios com os fabricantes de equipamentos Ericsson, Nokia ou Samsung.

Em resumo, a terrível batalha de lobby nos bastidores em torno do 5G, que Washington e Pequim travam na Europa, foi transportada para o continente africano por operadores e fabricantes de equipamentos chineses e ocidentais.

Este vasto programa de liberalização do sector das telecomunicações na Etiópia deverá prosseguir com a atribuição de outras licenças que permitam à empresa nacional de telecomunicações Ethio Telecom abrir o seu capital a outros grupos de operadores privados com todo o pacote de investimento que o acompanha.

Espera-se que a privatização de um setor que antes era monopólio estatal acelere o crescimento do acesso móvel e à Internet na Etiópia, que tem um mercado potencial de 112 milhões de pessoas.

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