10 anos depois, De Beers reinveste em Angola.

Em 2012, a diamantífera De Beers, abandonou a exploração de minas em Angola devido a conflitos com o governo angolano, liderado, na altura, por José Eduardo dos Santos.

Actualmente, o Presidente Executivo da diamantífera sul-africana De Beers, Bruce Clever, declarou que as reformas realizadas nos últimos quatro anos em Angola, oferecem maior conforto para investir.

Angola negociava há já vários anos o regresso da De Beers ao país num processo de recuperação da confiança da diamantífera sul-africana, que o próprio governo angolano reconheceu como “difícil”.

Volvidos 10 anos, a diamantífera sul-africana De Beers vai investir 33,2 milhões de dólares (30 milhões de euros) em dois novos projetos mineiros em Angola.

 

Reconhecimento

O CEO da multinacional, foi recebido em audiência pelo Presidente da República, João Lourenço, onde informou o Chefe de Estado da assinatura de dois contratos com a Endiama e o governo angolano para a exploração de duas concessões diferentes.

Referiu que os dois contratos são por 35 anos para explorar duas áreas separadas, que totalizam cerca de 20 mil quilómetros quadrados. Bruce Clever Sublinhou ainda que se iniciou já a actividade de exploração e prospecção, estando o montante global a investir dependente das descobertas que forem feitas.

Após a audiência, Bruce Cleaver, a mais alta figura da diamantífera sul-africana disse estar “bastante impressionado com as reformas introduzidas nos últimos quatro anos e meio pelo Presidente João Lourenço” e considerou terem sido criadas condições mais atrativas para os investidores estrangeiro trabalharem em Angola.

Respondendo às perguntas dos jornalistas, o CEO da De Beers, disse que a empresa “sempre encarou Angola como altamente prometedora do ponto de vista da indústria de diamantes” e mesmo quando decidiu cessar a exploração, manteve um escritório em Luanda

O responsável, que não fez referência as disputas anteriores, assinalou que a decisão coincidiu com o período de crise financeira que se viveu na época, sublinhando que a empresa continuou a manter o interesse no país africano.

Por outro lado, o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, afirmou que:

“Em vez de olhar para o passado, devemos olhar para o presente e o futuro”, já que “o passado serve para aprender e evitar repetir os mesmos erros”

Diamantino Azevedo congratulou-se com o regresso ao país “de uma das maiores empresas diamantíferas do mundo”, uma “mensagem clara para o mundo de que as medidas políticas e legislativas tomadas pelo executivo angolano são efetivamente eficazes, transparentes e atrativas” e que Angola é “opção de escolha para a indústria diamantífera mundial”.

 

O Investimento

A De Beers prevê investir mais de 30 milhões de euros em projetos diamantíferos em Angola.

Os contratos de investimento, para a prospeção de depósitos primários nas províncias da Lunda Norte e da Lunda Sul, foram assinados em Luanda, entre a De Beers e o executivo angolano

Numa breve resenha do processo negocial, Mara Oliveira, integrante da comissão que negociou os contratos, adiantou que foram necessárias 30 reuniões, entre Outubro de 2021 e Abril de 2022, para chegar ao fim do processo.

A Endiama, a diamantífera estatal angolana, terá uma participação de 10%, em cada projeto mineiro, com intenção de aumentar para um máximo de 20%.

As áreas de exploração abrangem quase 20.000 quilómetros quadrados no total, sendo o prazo de concessão de 35 anos.

Para o projeto de Muconda (Lunda Sul), está previsto um investimento inicial de 26 milhões de dólares e outorga de direitos de exploração de depósitos primários e secundários, estimando-se uma fase de prospeção de 5 anos.

Para o Lumboma (Lunda Norte), o investimento inicial é de 7,2 milhões de dólares estando pré-reservados os direitos existentes relativos aos depósitos primários e secundários, mediante solicitação.

 

Conclusão

A De Beers, abandonou a exploração de minas em Angola devido a falta de apoio da parte do governo angolano, o que levou a desentendimentos comerciais, considerados à altura, intransponíveis.

Apesar da ausência da exploração diamantífera em território angolano, a De Beers manteve sempre um olhar vigilante sobre o que se estava a passar e percebendo uma maior abertura do actual governo, ao investimento estrangeiro, resolveu avançar com um novo projecto de exploração.

Resta saber se este investimento irá de facto beneficiar o povo angolano, ou se, como já aconteceu no passado, encheu os bolsos de alguns poucos não trazendo nenhum benefício palpável a Angola. É esperar para ver.

 

O que achas deste retorno da De Beers a Angola? Será que este projecto trará benefícios palpáveis à população? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Ver Também:

De Beers regressa a Angola, vitória de João Lourenço

Imagem: © DR
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