10 de Junho celebra a CPLP e os PALOP.

10 de Junho é o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. No entanto também é muito mais do que isso pois também comemora os PALOP.

Apesar de em 2019, a 40ª sessão da Conferência Geral da UNESCO ter decidido proclamar o dia 5 de Maio como o “Dia Mundial da Língua Portuguesa“, é a 10 de Junho que a língua portuguesa é celebrada por todo o mundo e, por arrasto, nos PALOP.

 

O Dia 10 de Junho

O dia 10 de Junho é comemorado pela primeira vez, no longínquo ano de 1880, onde, por um decreto real de D. Luís I, declara “Dia de Festa Nacional e de Grande Gala” para comemorar os 300 anos da morte de Luís de Camões, ocorrida a 10 de Junho de 1580.

No entanto, é apenas a 29 de Agosto de 1919 que, através de decreto, o dia passa a feriado nacional.

É durante o Estado Novo, o regime instituído em Portugal em 1933 sob a direção de António de Oliveira Salazar que a data ganha impacto e a generalização das comemorações ganha força, devido à cobertura dos meios de comunicação social.

Nessa altura, a data era celebrada como “Dia de Camões, de Portugal e da Raça” tendo Salazar criado esse epíteto na inauguração do Estádio Nacional do Jamor em 1944.

A partir de 1963, o dia 10 de Junho tornou-se também numa homenagem às Forças Armadas Portuguesas, numa exaltação da guerra e do poder colonial.

Com o 25 de Abril e com uma filosofia política diferente, em 1978, o dia converte-se em Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Ao longo dos anos, o seu conceito tem vindo a ser aprimorado e, apesar de existir um “Dia Mundial da Língua Portuguesa” é neste dia que se exalta a língua que une todas as comunidades falantes de português pelo mundo.

 

A importância do Dia 10 de Junho para os PALOP

O colonialismo português, criou muitas situações potencialmente geradoras de conflitos e de ressentimentos, tantras que se as descrevesse aqui, seria de leitura praticamente impossível.

Mas, independentemente dos vários conflitos e das especificidades inerentes a cada país africano cuja língua oficial é hoje o português, tem havido, do ponto de vista identitário, um contacto de meio milénio com o povo português e com a língua portuguesa.

Apesar das diferentes situações de dominação e assimilação, que estão na origem das lutas contra a colonização, este contacto constitui hoje, um aspecto identitário comum a todos os PALOP.

Este aspecto identitário, a partir de finais do século XIX, serviram de suporte para a edificação dos nacionalismos modernos africanos entre os futuros países dos PALOP, maioritariamente interpretados por um associativismo cultural e político.

Com a excepção de S. Tomé e Príncipe, a guerra pela independência nacional constitui uma forte vertente de identidade linguística nos PALOP.

Pela sua própria natureza, a guerra foi factor dissociativo, mas, paradoxalmente, foi um factor associativo de identidade nacional, ao atingir, directamente, toda a sociedade angolana, guineense e moçambicana, independentemente das origens etnolinguísticas ou socioeconómicas.

Esta identidade linguística, torna-se particularmente forte na Guiné-Bissau, onde lutavam lado a lado guineenses e cabo-verdianos em prol das independências dos respectivos países.

Para as sociedades angolana e moçambicana, há ainda a pertença maioritária a uma mesma civilização bantu, à qual uma parte da sociedade santomense também faz parte, facto que, especificamente para estes três países, constitui uma outra forte vertente identitária.

É, portanto, a língua portuguesa que, nas suas várias vertentes identitárias comuns justificam a importância do dia 10 de Junho, onde o aprofundamento das históricas relações de amizade e de solidariedade entre os vários países espalhados pelo mundo que falam português, vêm à tona.

A igualdade, soberania e independência dos PALOP, a não ingerência nos assuntos internos de cada um o respeito dos princípios democráticos bem como dos direitos humanos e do Estado de direito, tornam-se fundamentais nos dias de hoje e, estes valores pelos quais nos guiamos, foram herdados de Portugal, graças à língua e à cultura que nos une a todos.

 

Conclusão

Não há dúvida que sem Portugal e a língua portuguesa, os PALOP não são o que seria hoje. Há quem refute essa ligação, afirmando que se não tivesse havido colonialismo hoje em dia estaríamos muito melhor. Mas essas pessoas esquecem-se de um factor muito importante. O colonialismo é a mola do mundo.

Já estou a ver milhares de pessoas a estrebucharem com esta afirmação, mas ela é verdadeira. Todo o planeta evoluiu com base no colonialismo, todos os países do planeta já foram colonizados por alguém, pois é assim que os povos evoluem.

Temos por exemplo, o caso de Portugal que não seria o país que é hoje se não tivesse sido colonizado por vários povos através dos tempos.

Portugal (ou a região que é hoje Portugal) teve a sua primeira colonização efectuada pelos Celtas, posteriormente pelos Romanos, pelos Vândalos, pelos Suevos, pelos Visigodos e finalmente pelos Árabes. Foi graças a estas colonizações que toda a cultura do Povo que é hoje o Português, nasceu.

É por isso que renegar a cola que nos une (a língua portuguesa) e toda a cultura absorvida através dela, é completamente ridículo e é por isso que o Dia 10 de Junho, apesar de ser um feriado Português, acaba por ser tão importante para a identidade dos países que constituem os PALOP.

 

O que achas deste dia? Também concordas que o Dia 10 de Junho é importante para os PALOP ou és daqueles que discordam? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Ver Também:

O 25 de Abril e a criação dos PALOP

Imagem: © 2022 Francisco Lopes-Santos / DR

  • Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos. neste momento exerce as funções de Chefe de Redação da Mercados Africanos.

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