“A industrialização, através da qual acrescentamos valor ao que produzimos e exportamos de forma competitiva, e também o comércio entre nós, no seguimento do acordo de livre comércio, deve ser uma prioridade e deve acontecer”, defendeu o vice-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento para a área do Setor Privado, Infraestrutura e Industrialização, Solomon Quaynor numa página do BAD para celebrar o 20 de novembro, dia da industrialização em África.

“A resiliência das economias africanas é fundamental, e isso significa que independentemente dos choques externos no futuro, temos de reconstruir de forma a que o nosso povo, particularmente os jovens e as mulheres que lideram os agregados familiares, tenham empregos e um futuro melhor”, pode-se ler na mesma nota divulgada pelo BAD..

O vice-presidente do BAD volta a apontar o que todos sabemos e que a crise do COVID-19, como se necessário fosse, tornou ainda mais evidente: a falta de industrialização no continente. Os respiradores são um instrumento essencial no tratamento de doenças respiratórias, incluindo casos graves de Covid-19. No entanto, no início da pandemia existiam menos de 2.000 respiradores disponíveis em 41 países africanos, e nenhum em dez.

Hoje, a pandemia está apenas a mostrar com clareza um problema sério que não é novidade, e que tem que ver com a não industrialização do continente. Esta situação terrível da pandemia, apresenta uma oportunidade sem precedentes para aumentar a capacidade de produção local e avançar com políticas que apoiem decisivamente a industrialização. África pode tirar proveito do contexto da pós-crise para repensar a sua própria industrialização.

Para a África, em termos de indústria e logística, esse “outro mundo” do pós-COVID-19 deveria significar exportar as suas matérias já transformados. A transformação do caju, hoje está em grande parte nas mãos de atores localizados na Índia ou no Vietname. Para evitar a situação atual, que implicou ter enormes quantidades de castanha de caju crua a apodrecerem há que transformar localmente. O exemplo do caju aplica-se a todos as outras matérias.

Os termos de negociação têm que ser revistos com todos os parceiros sem exceção, incluindo a China. Novas políticas tem que impor que as matérias onde a África é o principal produtor mundial ou um dos principais, uma parte da cadeia de valor tem que ser agregada no pais ou na sub-região que produz, ou seja, as políticas económicas devem ser orientadas para o processamento da cadeia de valor.

A Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) tem que ter um papel decisivo na promoção da industrialização africana, considerando que o aumento rápido da classe media africana implica produzir muito para o mercado interno.

Para além de exportar matérias com valor agregado, a produção local também tem que se voltar para os mercados internos: produtos biomédicos, têxteis, móveis, sumos, pneus, entre outros, terão certamente um mercado enorme dentro do continente.

Investir em infraestrutura, formação profissional e técnica será essencial para enfrentar os desafios da industrialização africana.

Para apoiar a recuperação pós pandemia é necessário que a liderança africana tenha uma agenda ousada, impulsionada por investimentos liderados pelo setor privado em apoio a transformação industrial.

Existe uma oportunidade real para a África criar empregos e promover a transformação económica através da manufatura doméstica e de um processo de industrialização e que implica agregar valor aos produtos domésticos, matérias-primas e produtos agrícolas e desenvolver cadeias de valor regionais e internacionais.

Claramente, os governos têm um papel importante a desempenhar na natureza e direção da industrialização. Os países africanos continuam pobres porque continuam a produzir e exportar matérias-primas sem valor agregado para países que depois as transformam e vendem ao continente os produtos derivados dessas matérias. Por exemplo, 70% do comércio global de agricultura são produtos semi processados e processados. A África está praticamente ausente deste mercado e continua a exportar produtos agrícolas para a Ásia e o Ocidente.

Existe uma oportunidade para a África repensar e o seu futuro. Para tal deve olhar para dentro dela mesma e encontrar as suas próprias soluções que conduzam à industrialização e construa potências industriais lideradas pelo setor privado africano.

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