Com a pandemia a dominar o todo o ano de 2020, quase ninguém se lembrou de falar da década das megacidades, mas estas crescem todos os dias , à frente de todos nós.

Megacidades, cidades com uma população de pelo menos 10 milhões, surgem por toda a África. Cairo no Egito, Kinshasa na República Democrática do Congo e Lagos na Nigéria já são megacidades, enquanto Luanda em Angola, Dar-es-Salaam na Tanzânia e Joanesburgo na África do Sul atingirão esse “estatuto” até 2030, segundo as Nações Unidas.

Abidjan, na Costa do Marfim, e Nairobi, no Quênia, ultrapassarão os 10 milhões de habitantes antes de 2040.

Em 2050 Ouagadougou no Burkina Faso, Adis Abeba na Etiópia, Bamako no Mali, Dakar no Senegal e Ibadan e Kano na Nigéria atingirão o mesmo numero – elevando o total de megacidades na África para 14 em menos de 30 anos com o número de pessoas a viverem em áreas urbanas a duplicar para mais de mil milhões até 2042, segundo o Banco Mundial.

O Global Cities Institute da Universidade de Toronto, prevê que Lagos, que conta atualmente 21 milhões de pessoas, seja a maior cidade do mundo até 2100, com uma população de 88 milhões.

O African Urban Futures, publicado pelo Instituto africano de Security Studies, escreveu: “A velocidade atual da urbanização da África é sem precedentes na história. Para alguns, é a transformação mais importante que está a acontecer no continente, acrescentando que as” cidades africanas moldarão cada vez mais a vida das pessoas que vivem no continente “.

Lagos é um exemplo do poder econômico nas megacidades da África. Desde o ecossistema do polo tecnológico – o maior da África – até ao setor bancário e a próspera indústria cinematográfica, e apesar de existirem lugares como Somolu, Bariga e a flutuante Makoko os investidores continuam a encontrar muitas oportunidades na capital económica da Nigéria, cujo PIB em 2017, (136 mil milhões de dólares americanos) já era mais do que o PIB combinado de Gana (47 mil milhões) e Tanzânia (52 mil milhões).

A economia das megacidades parece ser mais atraente para as empresas, já que as pessoas estão concentradas e as mesmas tem custos fixos mais baixos e distribuição facilitada.

Mas nem tudo é positivo. Considerando que a maioria das populações urbanas africanas enfrentam situações precárias de emprego, vivem em assentamentos informais, sem acesso a serviços básicos e é vulnerável a várias formas de violência, a rápida urbanização tem um impacto enorme na sobrecarrega as infraestruturas, na procura de emprego, nos serviços e agrava os problemas complexos de governabilidade para os governos locais.

A esta situação há que acrescentar e colocar nas prioridades de governação dessas megacidades, as mudanças climáticas e ambientais globais, em particular a pressão em sistemas de abastecimento de água e energia, as quais aumentam os desafios para o desenvolvimento humano e as complexidades da governança urbana contemporânea no continente

Para fazer face a esta situação, as cidades de rápido crescimento em África, esta década, terão que melhorar o planeamento urbano e encontrar os investimentos necessários não só através do investimento direto estrangeiro, mas sobretudo criando condições que facilitem a formalização da economia e consequentemente cobrando impostos que por sua vez deverão ser utilizados para financiar infraestruturas e serviços, considerando que o sector informal, ou melhor a economia informal, em África, representa até 41% do PIB e fornece 85,5% do emprego total, segundo Organização Internacional do Trabalho.

Nesta nova década, essas megacidades precisam de governos fortes, competentes, empenhados na transformação dessas megacidades, e democraticamente eleitos orientados também, mas não só, para as populações urbanas de baixa renda, em vez de, como acontece com muita frequência, escondê-las quando se avizinham grandes eventos ou visitas de dignatários estrangeiros.

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