Frotas do mundo inteiro em terra, com exceção das que faziam o transporte do material para o combate à pandemia da Covid-19, fronteiras fechadas, famílias isoladas em regiões diferentes do mundo, trocas comercias suspensas, barril de petróleo abaixo do zero… e a morte de George Floyd mudaram o rumo do ano de 2020.

Tudo isso desencadeou uma viragem de noventa graus no rumo das economias de todos países do mundo.

Em África, no final do ano transato, o Relatório sobre as perspetivas económicas para o 2020, disponibilizado pelo Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento, previam que a economia africana registaria uma contínua melhoria este ano.  Projetava-se um crescimento real do PIB, de uma estimativa de 3,4% em 2019 para 3,9 % em 2020, e para 4,1% em 2021.

O relatório indicava que a economia do Ruanda, Etiópia, Costa do Marfim, Gana, Tanzânia e Benim estariam na liderança junto das dez de maior de crescimento mundial. Não só não aconteceu, como deverá ter sido o ano com o pior desempenho económico para estas e muitas outras economias pelo mundo.

Em janeiro de 2020, começaram a surgir os primeiros rumores sobre um vírus Chinês, que segundo a opinião de alguns especialistas, era apenas um problema da China, que nunca chegaria aos outros continentes. A verdade é que muito rapidamente o coronavírus inicialmente assim chamado, propagou-se para outros países, com destaque para a Europa.

No dia 14 de fevereiro foi relatado o primeiro caso de Covid-19 em África, mais propriamente no Egito

O diretor geral da OMS Tedros Ghebreyesus lançava repetidos apelos para que África se preparasse para o pior cenário possível. E África preparou-se!

Ao contrário da Europa e da América, África de facto preparou-se, fechando as suas fronteiras, antes mesmo de países como a Itália e Portugal o terem feito, já acumulando um registo significativo de casos positivos da Covid-19.

Em entrevista à imprensa a Ministra da Saúde de Angola Sílvia Lutucuta referiu mesmo que os países deveriam dar o mérito à estratégia adotada pelos países africanos.

Temos que dar crédito a África por nos termos antecipado. Acho que é muito importante valorizarmos o trabalho que os países africanos fizeram até aqui“, afirmou

O Egito, a África do Sul, a Argélia, o Marrocos, o Senegal e Burkina Faso lideraram a tabela dos países com maior número de casos de infeções confirmadas.

Em África e nos PALOP, Cabo Verde foi o primeiro país a registar o primeiro caso positivo da Covid-19.

A partir do dia 15, os presidentes africanos engajaram-se pessoalmente nas campanhas de sensibilização para o confinamento obrigatório, criando assim a “quarentena obrigatória”, uma estratégia até ao momento não implementada nos outros continentes.

Bloqueio nas transações comercias

Com a forte propagação da pandemia da Covid-19, muitas economias foram fortemente afetadas.

O fecho de fronteiras teve impacto catastrófico, em África. Principalmente para as economias mais frágeis e cujo Produto Interno Bruto está fortemente    dependente das exportações, e produtos de consumo corrente e matéria prima, das importações. Apesar do fluxo de mercadorias continuar a ritmo lento foi difícil para as pessoas atravessarem as fronteiras para comercializarem os seus produtos.

E isto acontece justamente num ano em que a União Africana previa lançar a Zona de Comércio Livre Continental, tendo o seu lançamento previsto para julho de 2020 para 1 de janeiro de 2021.

54 estados aderiram à iniciativa e Angola foi o 30º país a ratificar a Zona de Livre Comércio Continental Africana.

Pela primeira vez na história, o preço do barril de petróleo foi negociado abaixo de zero

O presente ano também ficou marcado pela depreciação brusca e acentuada do preço do barril de petróleo. Mercado estagnado, sem ter onde canalizar o estoque de óleo, as operadoras tiveram que pagar para “vender”, Inédito!

Em maio Alexandre Versignassi, autor do livro “Crash – Uma Breve História da Economia” e jornalista científico com foco nos mercados energéticos dizia “Com a retoma gradual das economias o setor petrolífero vem registando uma rápida recuperação” e previa um futuro um défice na produção para os próximos tempos que poderia vir beneficiar países considerados produtores tradicionais, como é o caso de Angola. A análise era sustentada pela dívida excessiva das empresas de energia nos EUA, que já era considerada de alto risco.

Chegou mesmo a especular que o do barril de petróleo tenderia a superar a fasquia dos 92 euros até ao final de 2021.

Alexandre versignassi alertou, entretanto que, caso este cenário se concretize, poderá ser a última vez que o mercado registaria estes picos de valorização.

A tendência que se vai observando é que, nos próximos anos, os países tenderão a optar por energias mais limpas” afirmou.

Sem mais esta verba extra, e com o grande esforço orçamental que os países dependentes da matéria prima fizeram, muitos países de renda baixa e não só optaram por recorrer a iniciativa lançada pelo G20, grupo das principais economias do mundo que se traduzia na prorrogação do serviço da dívida para os países mais pobres agora prorrogado até final de 2021.

A margem da presente iniciativa mais de 40 dos 73 países elegíveis adiaram cerca de 5 bilhões de dólares em pagamentos de dívidas.

Em Angola, para compensar a alocação de verbas extras na luta contra a pandemia o presidente João Lourenço tomou várias medidas para reduzir as despesas, dentre elas o “emagrecimento do aparelho do estado” reduzindo assim de 28 para 21 os departamentos ministeriais

Em entrevista à imprensa a ministra das finanças de Angola Vera Daves disse “a fusão de algumas pastas ministeriais serve para modernizar e racionalizar a administração central.

Intensificou-se também a campanha levada a cabo pelo presidente João Lourenço sobre a luta contra a corrupção, tendo sido julgado e condenados pela primeira vez em Angola entidades anteriormente ligadas ao poder.

Em uma entrevista concedida ao jornal americano Wall Street Journal, o Presidente da República João Lourenço, estimou os prejuízos causados ao Estado Angolano, por membros do anterior executivo, em aproximadamente 24 mil milhões de dólares , sendo que 13.515 milhões deste montante foram retirados ilegalmente através de contratos fraudulentos com a Sonangol, 5 mil milhões através da SODIAM e ENDIAMA e os restantes 5 mil milhões retirados por outros sectores e empresas públicas.

Na verdade, um ano imprevisível.

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