2021, também foi um ano de conflitos em África.

Em matéria de conflitos as notícias do ano que agora termina não foram boas. Na realidade pioraram.

Tal como em 2019 e 2020, durante o ano de 2021, os conflitos africanos envolveram os mesmos países e as mesmas regiões, nomeadamente a Líbia, o Sahel, o Corno, a África Central, a região dos Grandes Lagos e Moçambique.

Paralelamente, a tensão aumentou drasticamente entre o Marrocos e Argélia, enquanto a Etiópia estava em todos os noticiários, com a questão da guerra civil com o Tigray.

Mas vejamos mais em detalhe o que foi o ano em matéria de conflitos de Norte a Sul do continente.

Na Líbia, no final de 2021, o general Haftar, apoiado pelo Egito e pelos Emirados Árabes, controlou os terminais petrolíferos do Golfo de Sirte, enquanto em Trípoli, o Governo de unidade nacional se formou em 19 de janeiro de 2016 sob pressão da ONU, apenas sobreviveu graças à intervenção militar turca.

No Sahel, durante o ano de 2021, a novidade foi a exacerbação do confronto entre o EIGS (Estado Islâmico do Grande Saara), vinculado ao Daesh, e grupos que afirmavam fazer parte do movimento Al-Qaeda.

No norte do Mali, o equilíbrio do poder local mudou drasticamente porque os “emires” argelinos mortos pela força francesa Barkhane, o que fez com que a região já não seja agora governada por estrangeiros, mas pelos Touareg ifora Iyad ag Ghali.

Mais ao sul, em Macina, na chamada região das “Três Fronteiras”, em Liptako e em Soum, os jihadistas procuram estender as suas ações a todo o Sahel e à região sudanesa.

Particularmente, ao Burquina Faso, a última “barreira” antes do corredor de acesso que leva aos países do litoral, incluindo a Costa do Marfim, o “motor” económico da UEMOA e o Benim, tendo ambos países sofrido ataques.

Na Nigéria os ataques e sequestros levados a cabo pelo Boko Haram, foram “moeda corrente” e regularmente as notícias de combates com o exército nigeriano têm feito os títulos dos jornais e noticiários.

Na região que envolve o Chade, o ano de 2021 assistiu ao regresso das duas fações do Boko Haram, enquanto nos Camarões, a parte anglófona localizada no sudoeste do país, e que reúne 20% dos camaroneses, viveu uma situação da insurgência separatista.

Na República Centro-Africana, nada parece ser capaz de pôr fim a uma guerra étnica e de décadas que está a ser travada novamente sob uma pretendida fachada religiosa.

O ano de 2021 viu o país atravessar um desenvolvimento de conflito tipo “uma guerra de todos contra todos”, com as milícias étnico-tribais aproveitando-se das riquezas do país.

Na RDC, em Ituri, região do Lago Albert, o ano de 2021 testemunhou o reaparecimento de uma feroz guerra étnica desencadeada pelos Lendu.

Apesar da presença de 16.000 soldados da paz, tudo começou novamente no coração de uma região de conflitos e de crise quase permanentes exacerbado com os focos do Sudão do Sul e da RCA.

O Sudão do Sul não conseguiu superar a oposição entre Dinka e Nuer. Esta guerra civil incessante não deve, no entanto, fazer-nos esquecer que a disputa territorial e petrolífera entre o Sudão e o Sudão do Sul, não foi resolvida e que a guerra entre os dois Estados pode, portanto, recomeçar a qualquer momento.

O Norte do Sudão viveu acontecimentos que são a repetição exata do que aconteceu no Egito entre 2011 e 2013.

Face a um enorme protesto popular, e uma forte pressão internacional, mas não querendo enfrentar diretamente a multidão, em 2019, o exército deixou ou pretendeu ter deixado “cair” o general Omar al-Bashir, mas permaneceu no controle.

Assim, na noite de 24 para 25 de outubro, o general al-Burhane assumiu o poder.

Na África Oriental, a Somália continuou a se autodestruir e a prosseguir com a tensão com o Quénia, enquanto a Etiópia voltava à guerra civil após a secessão virtual de Tigray.

No entanto, esta guerra é uma ameaça extremamente séria à estabilidade de todo o Corno de África, devido às alianças étnicas transfronteiriças, entre todos os países dessa sub-regiao.

Não esquecer o conflito latente entre a Etiópia e o Egito devido às obras hidroelétricas da Grande barragem do Renascimento etíope, barragem esta à qual o Egipto e em certa medida o Suda se opõem.

Finalmente o norte de Moçambique, sobretudo a Província de Cabo Delgado, com megaprojetos de gás e investimentos de dezenas de biliões de dólares ainda é abalado por guerrilheiros islâmicos cujas ramificações se estendem até a Somália. Isto apesar do apoio militar do Ruanda e da SADC ao governo de Maputo.

O que pensas sobre isto? Quando se livrara o continente desta situação? Dá-nos a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

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