246 milhões de africanos deitam-se sem comer.

Vários países africanos atravessam fases de insegurança alimentar, por vezes persistentes, devido a fatores que vão desde conflitos à invasão de gafanhotos, a secas ou chuvas insuficientes.

Todos esses fatores estão ligados às mudanças climáticas. A praga de gafanhotos do deserto nos últimos anos na região oriental do continente, a pior em mais de 70 anos, foi provavelmente exacerbada por mudanças nos padrões e na intensidade das chuvas.

E embora as mudanças climáticas não estejam diretamente ligadas a conflitos armados, elas tendem a aumentar o risco de conflito ao exacerbar os fatores sociais, económicos e ambientais existentes que levam à escassez de recursos naturais como a água, zonas de cultivo ou de pastagens cada vez mais reduzidas

O Covid-19 foi e continua a ser um outro fator que desacelerou as atividades agrícolas no continente.

A Cimeira sobre Sistemas Alimentares realizada em formato híbrido a partir da sede da ONU, em Nova Iorque, nesta sexta-feira, 24 setembro 2021 foi a primeira de seu tipo, interligando essas questões relacionadas, incluindo desnutrição, pobreza e desigualdade.

“Um sistema alimentar que funcione bem pode ajudar a prevenir conflitos, proteger o meio ambiente e fornecer saúde e meios de subsistência para todos”, observou o secretário-geral da ONU, António Guterres, que tinha convocado a Cimeira.

O secretário-geral da ONU, lamentou que comunidades e famílias continuem sem ter acesso à alimentação. António Guterres destacou que “comida é vida” além de ser um direito humano. Mas essa necessidade ainda não está atendida.

Por seu lado o presidente do BAD, Akinwumi Adesina, afirmou que “O mundo tem recursos para acabar com a fome”.

Descrevendo os 246 milhões de pessoas em África que vão para a cama diariamente sem comida e os 59 milhões de crianças atrofiadas do continente como “moral e socialmente inaceitáveis”, Adesina disse que fornecer segurança alimentar para África em maior escala exige priorizar tecnologias, clima e financiamento.

Recorde-se que na reunião sobre segurança alimentar em África organizada pelo BAD e pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) no início deste ano 2021, 19 chefes de estado africanos pediram o estabelecimento de um mecanismo para o financiamento da segurança alimentar e nutricional na África.

“O Mecanismo de Financiamento da Segurança Alimentar e Nutricional na África deve ser capitalizado com pelo menos mil milhões de dólares por ano”, disse Adesina.

O bem-estar de 70% da população africana que trabalha na agricultura e no agronegócio é um barómetro do estado de saúde do continente.

“Se eles não estão bem, então a África não está a ir bem”, disse o presidente de Ruanda, Paul Kagame, numa mensagem enviada na abertura desse encontro.

Se os países africanos, têm o seu papel a desempenhar para mitigar os fatores que ameaçam a sua segurança alimentar, é preciso levar o mundo como um todo, e particularmente os principais culpados que contribuem enormemente para a mudança climática, como os Estados Unidos, os países ocidentais e a China, a cumprirem os seus compromissos.

Os olhos do mundo e sobretudo de África vão estar voltados para a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26) no final do próximo mês em Glasgow, na Escócia.

Realizada, anualmente, e reunindo 197 países, a Conferência das Partes, conhecida como COP, monitora e analisa a implementação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

Tal como disse o primeiro-ministro cabo-verdiano recentemente, África tem que falar de uma só voz e alto na COP 26 de Glasgow, a fim de forçar os maiores poluidores a financiarem a transição energética do continente, que direta e indiretamente permitirá, que se tomem as medidas para mitigar e eventualmente resolver a insegurança alimentar.

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