O ministro dos Negócios Estrangeiros  da China, Wang Yi, iniciou uma viagem por cinco países africanos esta segunda-feira (04/01), que o levará à Nigéria, República Democrática do Congo, Botswana, Tanzânia e Seychelles, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, em conferência imprensa.

Com a economia chinesa afetada pela pandemia, há preocupação nas capitais africanas de que os empréstimos possam diminuir e na primeira capital a ser visitada , Abuja, e embora a China não compre muito petróleo nigeriano, emprestou ao país uma boa parte dos fundos para a construção de infraestrutura logo se verá no final da visita, se esta preocupação tem ou não fundamento.

De lembrar que em 2020 e após relatos de que africanos em Guangzhou foram discriminados, o presidente do parlamento da Nigéria convocou o embaixador da China e “repreendeu-o” publicamente.

No final de abril, a Câmara dos Representantes da Nigéria aprovou uma moção visando imigrantes chineses e empresas no país para rever os empréstimos e projetos financiados pela China e cancelar vários desses projetos, embora tenha iniciado em dezembro 2020 as operações da linha ferroviária Lagos-Ibadan, construída pela Chinesa Civil Engineering Construction Corporation (CCEC).

A visita de Wang é vista como uma forma de reparar as relações com a Nigéria, que enfrentaram sérias tensões em 2020.

Depois da Nigéria, segue-se a Tanzânia na qual o presidente John Magufuli acaba de ser reeleito com muitas criticas do Ocidente e que faz Pequim aproveitar a oportunidade para estreitar ainda mais os laços com o país do leste africano para além de reiniciar as negociações sobre o acordo do porto de Bagamoyo, que estão paralisadas há muito tempo.

Na República Democrática do Congo (RDC), o maior produtor mundial de cobalto, com cerca de 60 por cento da produção global e um elemento essencial para fabricar baterias para veículos elétricos, cujo o Governo mantém laços mais estreitos com Washington, a visita de Wang pode ter como objetivo facilitar a entrada de mais empresas chinesas nas minas do país, que são cada vez mais objeto de competição estratégica entre a China e os Estados Unidos.

No Botswana o atual presidente Mokgweetsi Masisi tem sido mais conciliador com a China e menos polémico em comparação com seu antecessor e a visita recompensa essa atitude e serve para indicar que Pequim também se preocupa com os vizinhos mais pequenos de Pretória, o grande aliado da China na África Austral.

Nas Ilhas Seychelles a presença do Ministro dos Negócios Estrangeiros é obviamente para tentar reduzir a influencia da India e evitar que seja as Seychelles ou as Ilhas Maurícias Maurício caíam na órbita indiana.

Interessante esperar a reação americana e ver se Biden enviará, pelo menos, o subsecretário para os Assuntos Africanos fazer um périplo no Continente para uma resposta “taco a taco” à China.

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