37º Aniversário do Dia do Trabalhador Mineiro Angolano.

Nestas comemorações do 37º aniversário do Dia do Trabalhador Mineiro Angolano, celebrado a 27 de Abril deste ano, o Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás de Angola, Diamantino Pedro Azevedo, destacou as conquistas obtidas pelo país, no setor mineiro.

Angola ocupa o terceiro lugar do maior produtor de petróleo em África – com uma produção de 1,14 milhões de barris por dia em 2021 – mas o país também avançou muito no que trata da extração de riquezas minerais.

Em 2022, o Ministério resolveu apostar em impulsionar o desenvolvimento relacionado às minas e durante as comemorações, ganharam destaque, vários desenvolvimentos nas indústrias mineiras estratégicas.

 

As comemorações

Durante um discurso aos trabalhadores mineiros, o Ministro Diamantino Pedro Azevedo, destacou o desenvolvimento alcançado pela indústria mineira sob a liderança de João Lourenço, Presidente de Angola. Enfatizou também a resiliência da indústria na condução do crescimento económico de Angola e na garantia de uma vida melhor para a população.

O Ministro também destacou o sucesso do país na implementação de um novo modelo de governação para o setor mineiro que procura aumentar a eficiência da indústria através da redução da participação direta do governo numa aposta para acelerar investimentos estrangeiros e do setor privado.

A inauguração do Centro de Desenvolvimento Mineiro de Saurimo na província da Lunda Sul, no leste de Angola, e de um Centro de Treinamento para Avaliadores e Lapidadores de Diamantes, mostram a vontade do governo em melhorar a economia através do estímulo à produção mineira no país.

Além disso, o Ministro revelou que Angola aumentou as suas atividades de exploração de minerais incluindo cobre, níquel, cobalto, elementos raros, nióbio e fosfatos que o país planeia usar para conduzir a transição energética a níveis doméstico, regional e internacional.

Com uma procura crescente por estes minerais devido ao aumento na utilização de sistemas de energia como a solar e a produção de baterias para veículos elétricos, os países ricos em minerais como, Angola, são tem um grande potencial de se beneficiarem massivamente do aproveitamento dos seus recursos.

“Como resultado da confiança no nosso trabalho e o resultado das reformas iniciadas e implementadas no nosso setor, sob a liderança do nosso Presidente da República, João Lourenço, bem como as melhorias do ambiente de negócios”.

“Fomos capazes de trazer para o país, multinacionais importantes como a Anglo American, a Rio Tinto, a Tosyali e Pensana, que chegam para agregar valor à nossa próspera indústria das minas”.

Afirmou o Ministro no seu discurso aos trabalhadores mineiros.

O setor das minas em Angola representou 1,6% do PIB no terceiro trimestre de 2021, de acordo com a empresa de pesquisas Statista, no entanto, sendo o quarto maior produtor de diamantes do mundo explorou apenas 40% das suas reservas, mas com a produção mineira a aumentar nos próximos anos, é previsto que o setor expanda a sua contribuição para o crescimento do PIB.

 

Transformar o diamante em bruto

O Ministro Diamantino Azevedo, enfatizou que o país está a caminho de se tornar o segundo maior produtor mundial de diamantes brutos até 2030, impulsionada por reformas que permitem o investimento no setor.

Atualmente, o país é o quarto maior produtor mundial de diamantes, com uma produção estimada de 9,3 milhões de quilates em 2021. No entanto, aproximadamente 60% das bacias do país permanecem inexploradas, abrindo oportunidades para novas explorações.

Com metas de produção de 10,3 milhões de quilates para 2022, foram necessárias criar reformas para atingir esse objectivo. Como tal optou-se por:

  • Criar uma agência para actuar como concessionária nacional;
  • Aprovar e implementar o Decreto Presidencial nº. 143/20 – um modelo de gestão para aumentar a eficiência do setor das minas por meio da redução da participação do Estado;
  • Optimizar o papel do setor privado;
  • Aumentar e promover a transparência no setor;
  • Criar incentivos fiscais para impulsionar a exploração

Estas reformas, já despertaram o interesse de investidores estrangeiros e, tal como noticiado recentemente por nós, a empresa De Beers anunciou a sua candidatura para explorar a região nordeste de Angola.

Por outro lado, com o Ministério a pressionar a empresa estatal de diamantes Endiama a procurar parcerias e acordos com outros parceiros globais, o país deve ver um rápido crescimento da indústria de diamantes nos próximos tempos.

Angola, pretende também melhorar a criação de emprego, industrialização e desenvolvimento de infraestruturas. Com 95,5% dos diamantes brutos exportados, o Ministério anunciou planos para lapidar 20% dos diamantes no mercado interno.

Para isso, lançou a Saurimo Diamond Development Hub num valor de 77 milhões de dólares – um projeto que une toda a cadeia de valor de diamantes – e lançou um centro de treinamento de lapidação e polimento de diamantes para melhorar a capacitação e a transferência de habilidades.

Assim, Angola fez e continua a fazer progressos significativos na qualificação da mão-de-obra mineira local, uma conquista foi comemorada durante o Dia do Trabalhor Mineiro Angolano deste ano.

 

A Transição Energética

Os recursos minerais existentes e o potencial futuro de Angola vão além dos diamantes, com o mercado mais amplo de minerais e terras raras do país a crescerem a cada ano, fortalecendo o trabalho mineiro no país. Além dos diamantes, e das terras raras, Angola também é rica em minério de ferro, fosfatos, cobre, ouro e manganês.

No ouro, o país conta atualmente com 28 minas, 20 das quais em fase de prospecção, com capacidade média de produção em cada mina estimada em 4,5 kg por mês. No entanto, são os minerais relacionados à transição energética que provavelmente verão um aumento do investimento estrangeiro.

À medida que as prioridades globais mudam e as novas tecnologias, como veículos elétricos (EV), o armazenamento por baterias e energia verde, ganham preferência, espera-se que os minerais de terras raras encontrados em países como Angola desempenhem um papel crítico.

A transição energética reforça o trabalho mineiro, com o aumentou da procura de minerais como o lítio, níquel, cobalto, manganês e grafite, cruciais para o desempenho das baterias, bem como neodímio e praseodímio (NdPr), cruciais para turbinas eólicas e produção de VEs.

Em Angola, país rico nestes minerais, e com um potencial mineiro elevado, estão em curso desenvolvimentos significativos para garantir que o país desponta como produtor mundial neste domínio.

Os desenvolvimentos notáveis ​​incluem a aprovação constitucional do Projeto Longonjo – definido para se tornar a primeira mina de terras raras de NdPr em grande escala de África, com metas de produção de 56.000 toneladas por ano.

A Minbos Resources garantiu uma licença de exploração mineira para o projeto de fosfatos de Cabinda em 2021 e a Anglo-American assinou cinco contratos de exploração e extração mineira, entre outros.

Ao visar o investimento e o desenvolvimento no sector das terras raras e outros minerais, Angola está focada em tornar-se o principal fornecedor mundial de minerais relacionados com a transição energética.

 

O que achas do sector mineiro de Angola? Angola está no bom caminho para se transformar numa potência mundial na área das minas? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

Imagem: © 2022 DR

  • Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos. neste momento exerce as funções de Chefe de Redação da Mercados Africanos.

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