43 políticos africanos (9 angolanos) citados no “Pandora Papers”.

O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos está de volta ao centro das noticias globais, ao revelar que descobriu que centenas de políticos em todo o mundo têm encoberto empresas em jurisdições secretas, principalmente em países ricos, tal como noticiado por Mercados Africanos, 43 políticos dos políticos citados nos “Pandora Papers” estão em África, indicou o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, autor das novas revelações.

A Nigéria, com 10 políticos, é o país da região com o maior número de casos mencionados nos arquivos que se tornaram públicos. É seguida diretamente por Angola (9 políticos).

Os outros países africanos que aparecem nessas revelações são Marrocos, Costa do Marfim, Gana, Chade, Gabão, Congo Brazzaville, Quénia, Zimbábue e África do Sul.

Um enfâse particular foi feito no caso do Quénia, onde o presidente Uhuru Kenyatta, cujo mandato político enfatiza a luta contra a corrupção, é citado.

Ele e a sua família teriam “mantido sua riqueza longe da atenção pública por meio de fundações e empresas estabelecidas em paraísos fiscais, incluindo o Panamá, com ativos no valor de mais de 30 milhões de dólares”, segundo o relatório.

Os outros chefes de estado africanos cujos nomes são mencionados diretamente são os do Gabão e do Congo Brazzaville, mas os detalhes a respeito deles ainda não foram fornecidos.

A publicação revela ainda que os Estados Unidos, em particular, figuraram em todos os arquivos consultados, como um destino cada vez mais atraente para o encobrimento de fortunas por parte dos políticos.

Informação que contrasta com o hábito dos dirigentes deste país de criticar a corrupção e o peculato em países pobres.

Os “Pandora Papers” são o nome dado a 11,9 milhões de documentos nos quais se encontram os nomes de mais de 336 políticos de todo o mundo, que supostamente usaram entidades em jurisdições secretas para comprar imóveis, guardar dinheiro em custódia, possuir outras empresas e outros ativos, às vezes anonimamente.

A pesquisa realizada por jornalistas que trabalham no projeto também revela como bancos e escritórios de advocacia trabalham em estreita colaboração com prestadores de serviços offshore para projetar estruturas corporativas complexas.

Essa revelação vem à medida que o debate sobre uma tributação mais justa avança em todo o mundo, especialmente com a Covid 19 que expôs as dificuldades dos países fracos em mobilizar recursos financeiros para apoiar suas economias, ou mesmo para liderar campanhas de vacinas, apresentadas como vitais para enfrentar a pandemia que continua a sacudir o mundo.

De notar que o trabalho do painel de alto nível sobre fluxos financeiros ilícitos presidido por Thabo Mbeki, o ex-presidente da África do Sul, apresentou a evasão fiscal como uma das fontes de fluxos financeiros ilícitos da África.

O primeiro relatório sobre o estado da justiça tributária mundial publicado pela Tax Justice Network em novembro de 2020 estimou, com base na sua pesquisa, que isso representava em média cerca de 27 mil milhões de dólares em recursos perdidos anualmente.

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