5 africanos entre as 100 pessoas mais influentes do Mundo.

A revista Time, acabou de lançar a sua lista das 100 pessoas mais influentes do Mundo e entre elas encontram-se 5 africanos.

A lista é dividida em 6 tópicos, Artistas, Pioneiros, Inovadores, Líderes, Titãs e Ícones, onde podemos encontrar as pessoas mais influentes do momento.

A lusofonia, também se encontra representada, mas apesar de haver dois brasileiros na lista, apenas um a representa já que o outro, é uma representante dos povos indígenas do Brasil.

Mas quem são estes africanos (e já agora, brasileiros) para se encontrarem entre as pessoas mais influentes do mundo? São sem dúvida, pessoas únicas e das quais Mercados Africanos, tem vindo a falar em vários artigos.

Mas vamos então conhecer estas personalidades em mais detalhe.

 

Inovadores

Timnit Gebru, Etiópia

Timnit Gebru é uma cientista informática que trabalha com polarização algorítmica, investigação de dados e ética para a inteligência artificial. Neste âmbito, trabalhou na Microsoft e coliderou o departamento de Ética para Inteligência Artificial da Google, até Dezembro de 2020.

Fez parte do Stanford AI Lab, o laboratório de investigação sobre inteligência artificial da Universidade de Stanford. É uma defensora da diversidade em tecnologia e cofundadora da Black in AI, uma comunidade de pesquisadores africanos que trabalham com inteligência artificial.

Gebru foi reconhecida como uma das 50 maiores líderes do mundo pela revista Fortune, em 2021.

 

Diébédo Francis Kéré, Burkina Fasso

Diébédo Francis Kéré, é um arquiteto do Burkina Fasso, formado pela Universidade Técnica de Berlim. Claramente é um dos grandes africanos desta lista que nos inspira a todos, já que em paralelo com os seus estudos e trabalhos, ainda conseguiu fundar a Fundação Kéré e posteriormente abriu o seu próprio atelier, o Kéré Architecture.

O seu trabalho é reconhecido internacionalmente com prémios de destaque como o Prémio Aga Khan de Arquitetura de 2004 pelo edifício da escola primária de Gando, no Burkina Fasso, a medalha de ouro no Global Award for Sustainable Architecture e, mais recentemente, o Prémio Pritzker em 2022.

 

Líderes

Abiy Ahmed Ali, Etiópia

Em 2019, o Comité Nobel concedeu o Prémio da Paz ao novo primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, pelos seus esforços para encerrar o conflito de décadas do seu país com a vizinha Eritreia.

O tratado de paz de Abiy com o ditador eritreu Isaias Afwerki inspirou esperanças para uma região transformada, mas também plantou as sementes para uma guerra civil etíope. Em Novembro de 2020, Abiy, com o apoio de Afwerki, lançou uma campanha militar contra o seu inimigo comum: líderes da região rebelde do norte do Tigray, que faz fronteira com a Eritreia.

A guerra civil, tornou-se sinónimo de atrocidades contra o povo do Tigray: as forças de Abiy foram acusadas de massacres, agressão sexual e limpeza étnica. A fome, aproxima-se com milhões de africanos a sofrer.

Em março, declarou uma trégua para permitir o acesso humanitário à região, que estava bloqueada há meses. Mas, tal como uma “trégua humanitária” anterior em Junho de 2021, parece ser amplamente estratégica e pouca ajuda real chegou à região.

Abiy começou a chamar os rebeldes de “ervas daninhas” em um aumento no discurso de ódio. Grupos da sociedade civil africana pediram à ONU que aja, para que a Etiópia não se transforme em uma limpeza étnica que lembra o acontecido Ruanda.

Em Janeiro, o comité norueguês do Nobel, em um momento raro, criticou Abiy, observando que ao receber o prémio, tem;

“Uma responsabilidade especial de acabar com o conflito e contribuir para a paz”.

 

Samia Suluhu Hassan, Tanzania

A presidente Samia Suluhu Hassan assumiu o cargo em Março de 2021 e a sua liderança tem sido um tónico, está a fazer uma grande diferença para a Tanzânia e para todos os países africanos que a vêm como exemplo a seguir.

Abriu-se uma porta para o diálogo entre rivais políticos, foram tomadas medidas para reconstruir a confiança no sistema democrático, foram feitos esforços para aumentar a liberdade de imprensa e as mulheres do mundo têm um novo modelo a seguir.

Em Setembro de 2021, apenas alguns meses após sua presidência, Suluhu Hassan fez um discurso marcante como a quinta líder africana a discursar na Assembleia Geral da ONU.

 

Pioneiros

Sikhulile Moyo, Zimbabwe

Sikhulile Moyo é um virologista do Zimbabwe que trabalha como diretor do laboratório Botswana–Harvard AIDS Institute Partnership e pesquisador associado do Harvard T.H. Chan School of Public Health.

Em Novembro de 2021, Moyo e o seu laboratório foram os primeiros a identificar a variante SARS-CoV-2 Ómicron, colocando dessa forma os africanos nas noticias de todo o mundo.

 

Tulio de Oliveira, Brasil

Tulio de Oliveira é diretor do Centro para Respostas e Inovação em Epidemias (CERI) na África do Sul, onde vive desde 1997. Ele ganhou destaque ao chefiar uma das equipes envolvidas na descoberta da variante ómicron do coronavírus no país e por compartilhou os dados com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Oliveira já havia sido selecionado como um dos 10 cientistas mais influentes de 2021 pela revista científica Nature. A seleção anual tem por objetivo destacar os indivíduos que mais contribuíram com a ciência.

 

Sônia Guajajara, Territórios Indígenas do Brasil

Sônia Guajajara é uma indígena brasileira, que se destaca pelos ativismos indígena e ambiental, estando na linha de frente na luta contra vários projetos que ameaçam os direitos e a vida dos povos indígenas, bem como o meio ambiente.

Sônia é reconhecida internacionalmente, por causa das dezenas de denúncias que já fez na Organização das Nações Unidas (ONU), no Parlamento Europeu e nas Conferências Mundiais do Clima (COP), de 2009 a 2021, sobre violações de direitos indígenas. Já viajou por mais de 30 países do mundo na luta pelos seus ideais em representação dos Povos Indígenas Brasileiros.

 

Conclusão

Agora que ficámos a conhecer melhor estas grandes africanos, e não só, espero que de facto a revista Time tenha razão e que as vidas deles nos inspirem a ser cada vez melhores e de que tenhamos coragem para olhar o futuro de frente e abraçar os novos desafios que nos esperam.

 

O que achas desta lista? E o que pensas destes africanos? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

Imagem: © 2022 Francisco Lopes-Santos 

  • Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos. neste momento exerce as funções de Chefe de Redação da Mercados Africanos.

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