A China “pairou” na visita do MNE dos EUA a África.

Tal como Mercados Africanos noticiou, o Secretário de Estado (MNE) norte-americano, Antony Blinken, terminou uma viagem a três países africanos – Quénia, Nigéria e Senegal.

Raramente os EUA enviaram um Secretário de Estado ao continente africano, em geral enviam o subsecretário.

Mas desta vez era necessário vir a alto nível e demonstrar a atenção que os EUA dão a África, como parte da estratégia global americana de “combater” a China.

Embora em visita a África, a China “pairou” durante todos os encontros e declarações que o dirigente americano fez.

E isto devido não só ao peso da presença chinesa no Continente, mas também ao confronto global, que se travam as duas maiores potências económicas do mundo.

E como se quisesse afastar dúvidas, o MNE norte-americano, Antony Blinken, afirmou “A nossa parceria com a Nigéria e muitos outros países não é sobre a China ou qualquer outro elemento, é sobre África”, mas quem terá acreditado?

A frase do Secretário de Estado teve o efeito contrário e era evidente que o “pano de fundo” deste périplo africano era também e em muito, mostrar a Pequim que Washington estará cada vez mais presente no Continente para “contra-atacar”.

Cabe agora à liderança africana colocar o continente acima desse confronto e sobretudo, velar pelos interesses que conduzam a investimentos duráveis e sustentáveis, com impacto na vida e no dia a dia das populações.

Assim, o que costumava ser o grande tema das viagens de dignatários americanos por África, – quase o único aliás – a democracia, foi desta vez menos importante.

Mas mais sintomático, a democracia foi tratada de forma de quem sabia que a opinião africana sobre a democracia americana tinha sido profundamente abalada pelos eventos dos últimos meses da administração Trump, da quase tentativa de golpe de estado e dos dias dramáticos que se viveram na capital dos EUA, no princípio deste ano (2021).

Ou seja, que as imagens que as televisões mundiais em geral mostram de África também aconteceram em Washington.

Seguramente depois das transmissões, em direto, que todos vimos da democracia nos EUA, incluindo a incitação de Trump para a invasão do Capitólio, o Secretário de Estado Americano, já não estava muito à vontade para dar lições sobre democracia ou apontar os EUA como o grande modelo a seguir.

Inevitavelmente, referiu-se ao golpe de Estado no Sudão e ao conflito na Etiópia, mas de uma forma não habitual, como que dizendo todos temos problemas e sublinhou que “a democracia está em recessão em todo o mundo”.

Mas voltemos à “sombra” da China.

Se a viagem começou no Quénia, terra do pai do antigo Presidente Barack Obama, não foi por acaso que terminou no Senegal.

É que dentro de dias, Dacar vai receber a Cimeira Sino-Africana, o que não agradará minimamente aos EUA.

Como bom estratega, o MNE norte-americano, Antony Blinken, não criticou as relações e o apoio que a China tem vindo a dar ao desenvolvimento das infraestruturas africanas.

Certo, todos sabemos das questões levantas em relação à gestão da dívida em relação ao financiamento dessas infraestruturas e o Secretario de Estado, referiu-se a elas, mas sem mencionar a China e falou de investimentos “que veem com dividas a outros países impossíveis de pagar”.

Como forma de contrapor-se ao que serão os resultados da Cimeira Sino Africana de Dacar, sem o dizer, Blinken insistiu, lembrou, “martelou” sobre a cimeira que o Presidente Joe Biden quer organizar entre os EUA e África para discutir entre outras assuntos, mudanças climáticas, cooperação e democracia

Mais foi mais longe e apontou o caminho do futuro: os EUA querem a partir de agora considerar África uma potência geopolítica.

Sobre isto a ver vamos, porque não tem só que ver com a “guerra” entre os EUA e a China.

Tem e sobretudo a ver com o seguinte: será que os países africanos querem que o continente seja visto na sua globalidade como uma “potência geopolítica” ou se preferem – por interesses vários – continuar a negociar de forma individual.

É também possível que – um novo elemento – a Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) impulsione essa visão de bloco geoestratégico, mas isto só acontecera, na nossa opinião, se os estados africanos virem que a sua materialização, a nível global, beneficia o comércio e os investimentos.

pub

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite o seu comentário!
Por favor, digite o seu nome aqui


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.