Porto de Moçâmedes, a revolução cultural do Namibe.

O poder e a criatividade das pessoas impulsionam a remodelação do porto de Moçâmedes, em Angola. Esse feito foi conseguido através da mobilização dos moradores da vila balnear e do porto de Moçâmedes.

Ema Samali da Silva, a Vice-Governadora da Província do Namibe, lançou um projeto de renovação urbana que está a mudar a cara da cidade. Ela está a transformar relíquias antigas como cinemas e auditórios abandonados, em centros culturais renascidos.

Artistas de rua e pintores estão a animar e a embelezar as fachadas por toda a cidade. E é através da criação do emprego, com o objetivo de criar mais emprego, incentivando o turismo e a atividade empresarial na região.

O porto de Moçâmedes é um dos principais portos de pesca do país e é a porta de entrada para o deserto do Namibe, no sudoeste de Angola. Por isso, a cidade de Moçâmedes é uma cidade comprometida com a renovação urbana dando oportunidade a jovens artistas e criativos.

Através de uma parceria entre o setor público, o setor privado e a sociedade civil, a cidade de Moçâmedes vive um verdadeiro renascimento, caracterizado por cores vibrantes, um sentido de comunidade renovado e uma celebração da história profunda de uma cidade comprometida com as artes, arquitetura e cinema.

 

Dar vida a antigas relíquias

Uma força motriz por trás do reinício da cidade é Ema Samali da Silva, Vice-Governadora da Província do Namibe:

“A primeira fase do programa PIRU caracterizou-se por uma estratégia que visava criar um espírito coletivo inclusivo na cidade”, explica ela.

O próximo passo após a mudança de consciência: a organização do facelift.

“Trata-se das fachadas, da restauração do centro histórico. Há também um eixo de atendimento, que consiste em criar parcerias com pequenos negócios”, acrescentou.

No âmbito da transformação da paisagem urbana de Moçâmedes, o autoproclamado arquitecto citadino quer reviver relíquias antigas, como um auditório que nunca foi inaugurado, à espera de receber visitantes desde 1974.

Com a construção interrompida pela guerra civil, Samali da Silva planeia finalmente concluir o projeto, com uma casa de máquinas, cinema e galerias para artistas. Ela é apoiada por Hildeberto Alfredo Madeira, cujo pai foi um dos construtores originais.

“Devemos fazer o que os seus criadores imaginaram e seguir em frente”.

“Sobretudo, devemos mostrar a nível nacional e internacional o que é possível fazer nesta província. Não só no campo da arte, mas também no campo da cultura”.

Afirmou Hildeberto Alfredo Madeira.

 

Conquistar corações e fortalecer a comunidade

Samali da Silva mobiliza um exército de pintores para rejuvenescer as fachadas de prédios e casas pela cidade. Uma empresa privada que participa do esforço de recuperação é a Tokamak Teto Associados. Às vezes eles têm que conquistar o coração e a mente das pessoas.

“Os cidadãos das nossas comunidades sofrem sempre um choque inicial quando uma equipe intervém na sua localidade. Mas o mais importante é o diálogo”.

Disse África Teixeira Caiado, sócia da Tokamak Teto Associados.

Os artistas de rua como Johannes Silas e Paulo Daniel também fazem parte desta revolução cultural.

“O nosso objetivo é garantir que a província não fique parada, que continue a ser uma bela província, onde os artistas se expressem cada vez mais”.

“Damos vida a estes muros, para que fiquem estampados com a nossa cultura por toda a cidade”. Disse Paulo Daniel.

E Johannes Silas explica: “Criamos um quadro com muitas emoções: Pintámos um menino que bebe água do chão”.

Paulo Daniel explica: “Estamos a tentar retratar as condições do sul de Angola. Uma das zonas mais afectadas pela seca.”

 

Emprego para os moradores

Além da arte, este projeto também gera empregos para a população local, como para uma empresa que fabrica uma ampla gama de tintas para o projeto.

“Também pode ajudar mais gente a sair do desemprego, porque arte também é trabalho”. Disse Paulo Daniel.

“Tiramos gente da periferia. É isso que queremos. Conquistamos mais gente para a arte e a cidade ganha artisticamente”. Afirmou Johannes Silas.

A cidade e a sua cultura também saem beneficiadas, com mais cor para iluminar os abrigos do sol à beira-mar o que promove o turismo e o aparecimento de novos trabalhos.

“Estamos a tornar a nossa cidade um pouco mais colorida, um pouco mais animada e certamente mais atractiva”.

“Isto beneficia tanto quem quer fazer negócios como quem quer visitar os pontos turísticos”. Afirmou Samali da Silva.

“As nossas casas estão a ficar mais lindas, graças a Deus, estamos a gostar muito, estou muito agradecido”. Disse um morador.

 

Conclusão

Este é claramente um testemunho notável de renovação urbana. Um testemunho que prova que a arte não é só para estar em museus e na parede das casas dos ricos, mas também serve para redesenhar a paisagem urbana e trazer a beleza artística para as ruas. Este é um exemplo que devia ser seguido por todo o país

 

O que achas desta remodelação de Moçâmedes? Deveria haver mais arte urbana espalhada pelas cidades de Angola? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

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Imagem: © DR 
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