Todos sabemos que a forma mais eficaz de combater uma doença infeciosa é a vacina. Atualmente, a pandemia do novo coronavírus afeta todos os países do mundo e sem mobilidade não há economia e sem economia não há empregos e sem empregos não há consumo.

Desde a chamada gripe espanhola, há cem anos, que os centros de decisão económicos e financeiros mundiais não tinham vivido uma pandemia com efeitos tao devastadores, por isso esta corrida à produção de vacinas.

Nunca na história da humanidade tivemos tantas vacinas para uma única doença em tão pouco tempo. Isto é inédito e é a prova de que os decisores políticos dos países que dominam a economia mundial, a indústria, as farmacêuticas, os investidores e as empresas trabalharam em perfeita sinergia.

As vacinas produzidas pela Pfizer/BioNtech e a Modena ultrapassam os 90% de eficacidade quando existem no mercado vacinas com cerca de 60% de eficácia e que pelo menos levaram 4 a 5 anos para chegarem à fase 3 dos testes.

As pandemias de que foram vitimas os países da “periferia” (Africa /Asia/América Latina) nunca mereceram uma corrida como esta para a descoberta das vacinas. Dentro em breve para se viajar será necessário um “visto” imunológico. Em outras palavras, para se viajar, vai ser necessário estar-se vacinado.

Isto quer dizer que para negociar, investir, discutir projetos, participar nos debates de inovação tecnológica vai ser necessário estar vacinado. E aqui começam os problemas para a Africa.

Portanto, a África tem que encontrar formas de não ficar de fora da marcha irreversível da vacina e do impacto económico de não a ter. O visto imunológico em breve será imposto a todos. Os africanos correm o risco de ficar de fora.

Africa e os africanos foram no mínimo relutantes em relação a serem usados para esses testes. Existem alguns testes no Quênia e na África do Sul, mas, em geral, a África ficou à margem dos testes de vacinas, com um discurso que essencialmente dizia “não queremos ser cobaias”, e que foi repercutido violentamente nas redes socias e muitas vezes pela classe politica.

Essa relutância deveria ser injustificável num continente onde as vacinas ajudaram a controlar várias doenças tais como a poliomielite.

No entanto as coisas estão a mudar ou melhor mudaram. A África entendeu.  No sábado (21/11)  Paul Kagame, presidente do Ruanda e em exercício do NEPAD (Nova Parceria para o Desenvolvimento Africano) disse ao G20 que “o mundo deve unir-se na luta para acabar com a pandemia Covid-19 por meio da distribuição equitativa de vacinas”.

Na mesma Cimeira Ângela  Merkel, a chancelar alemã que assegura a presidência da União Europeia alertou que não há dinheiro para que a vacina chegue a todos os países.

Pelo seu lado o Presidente Francês, Emmanuel Macron, mostrou-se preocupado com a possibilidade dum mundo a duas velocidades: um com a vacina e outro sem ela.

Depois da guerra das máscaras e respiradores, caminhamos para a guerra das vacinas. Os primeiros lotes da vacina serão, seguramente, distribuídos na América do Norte e na Europa e noutros países que estão a fazer e a pagar para reservar as vacinas.

O que farão os dirigentes africanos para se assegurar que o continente não venha a ser ostracizado por falta de vacinas?

Embora o tão anunciado desastre sanitário não tenha acontecido, felizmente, as consequências económicas da pandemia são devastadores.

O que a Africa não precisa, em 2021, é que a recuperação económica seja igualmente retardada por falta do “visto” imunológico.

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