A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira realiza um estudo para criar hubs logísticos e rotas marítimas ligando portos do Brasil diretamente a portos do Marrocos, Egito e de países do Oriente Médio para incentivar o fluxo comercial entre o país sul-americano e o mundo árabe.

Tamer Mansour, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, entidade empresarial que faz a ligação entre agentes públicos e privados do Brasil e dos países árabes, explicou ao Mercados Africanos que o projeto foi debatido num webinário que reuniu membros da União Geral da Câmaras Árabes e da Liga Árabe, no final de outubro.

“A Câmara está trabalhando agora junto com a Liga Árabe e com a Academia Árabe de Logística para desenvolver um estudo que verifica a viabilidade de criar hubs logísticos no Brasil e no mundo árabe”, explicou Mansour.

“Estamos iniciando as conversas, mas entendemos que sem rotas marítimas diretamente entre o Brasil e alguns portos estratégicos nos países árabes o comércio não vai subir acima dos 22 mil milhões de dólares”, acrescentou.

Falando sobre como o projeto poderá beneficiar o comércio, o secretário usou como exemplo a venda de frango halal produzido no Brasil para países árabes, que passa por portos europeus antes de chegar ao destino.

Ele mencionou que 90% das exportações de frango halal saem de quatro portos da região sul do Brasil, que poderiam ter uma rota marítima direta com o Egito, a Arábia Saudita ou Emirados Árabes, grandes mercados consumidores deste produto no mundo árabe.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), sindicato patronal que reúne exportadores de carnes, informou que os países árabes são os maiores importadores de frango inteiro do Brasil, com 33% do mercado, no início de dezembro.

“Nosso objetivo hoje é criar rotas marítimas específicas que saiam de portos específicos do Brasil para o mundo árabe sem passar por Roterdão, Hamburgo ou Joanesburgo. Queremos criar estas rotas marítimas diretamente”, pontuou Mansour.

“Para cargas secas como os grãos, o açúcar, poderíamos fazer uma rota diretamente ligando o Brasil ao porto de Fez ou o de Tanger, no Marrocos, e de lá você distribui para os outros países árabes.  A ideia é essa mesmo, criar estas rotas marítimas conforme a necessidade”, acrescentou.

O secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira contou que o estudo em desenvolvimento incluirá informações sobre o que o Brasil exporta e importa do mundo árabe, assim como um mapeando dos parceiros na iniciativa privada para desenvolver o projeto.

“Dentro do Brasil queremos investir em hubs logísticos. Isto certamente é um projeto gigante, que vai atrair muitos investidores árabes”, avaliou.

“Acredito que até metade de janeiro teremos o mapeamento e mostraremos ele para os nossos parceiros. Entendemos que até junho este estudo pode estar pronto e ser anunciado (…) Nosso objetivo é que até o final de 2021 já teremos este estudo viabilizado, com algumas ideias concretas e valores de investimentos”, concluiu Mansour.

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