Imagens da saída da coalizão militar internacional do Afeganistão e a entrada dos Talibãs em Cabul, neste domingo, 15 de agosto 2021, e que no nosso artigo desta segunda-feira, 16 agosto 2021, comparamos ás da queda de Saigão continuam a dominar a atualidade internacional.

20 anos depois do 11 de setembro de 2001 o conflito no Afeganistão custou quase 2,3 triliões de dólares de acordo com o Cost of War Project dos Estados Unidos, bem como cerca de 241.000 vidas, incluindo quase 71.000 civis.

O equipamento mais sofisticado foi implantado e os generais considerados os mais qualificados passaram no Afeganistão, mas ironicamente os Talibãs poderiam, se o quiserem, passar o 9 de setembro de 2021, aniversário do ataque de 11 de setembro, nas instalações abandonadas da embaixada dos EUA em Cabul.

Nos grandes canais de televisão globais os analistas militares sucedem-se e tentam explicar o que funcionou mal ou não funcionou de todo, nas estratégias militares aplicadas no Afeganistão pelos americanos e a coligação internacional.

Ao ver o que se passou no Afeganistão, África pode-se perguntar o que poderia fazer, em áreas de segurança onde os próprios líderes dos países mais poderosos e ricos não tiveram êxito após investimentos maciços durante 20 anos.

Os governos africanos às vezes são rapidamente culpados das situações de conflito se prolongarem e não se resolverem nos seus territórios.

É o caso da Nigéria, Camarões e Níger com Boko Haram, movimentos de violência que surgem no Sahel e na Costa do Marfim, a chamada crise anglófona nos Camarões, os Shebabs na Somália, Tanzânia e Quénia. Insurgentes em Moçambique, ou grupos armados que proliferam no leste da República Democrática do Congo.

Não pretendemos comparar situações e contextos diferentes, mas a questão de fundo permanece: será que não é o momento de se tentar perceber melhor e de forma mais endógena a natureza dos novos conflitos e de se inventarem novos modelos para resolvê-los?

Isto parece-nos fundamental num contexto em que nem a força nem os mecanismos de diálogo ou de pressão – como estão estruturados atualmente –   trouxerem as soluções ou deram os resultados que se esperavam no Afeganistão, mas também nos conflitos africanos, como o do Sahel que se vem arrastando há anos.

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