Afinal a Ucrânia quer mesmo a Paz ou não?

Teoricamente, qualquer país em guerra, prefere ou procura alcançar a Paz, por isso parece um pouco ridículo perguntar se a Ucrânia prefere a guerra em vez da Paz, mas será mesmo ridículo?

Aparentemente, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, ou prefere a guerra ou não entende nada de diplomacia. Senão vejamos.

 

As negociações para a Paz

Durante a primeira ronda, os delegados ucranianos e russos, deslocaram-se até à fronteira entre a Ucrânia e a Bielorrússia para participar nas negociações.

Logo à partida, tinha-se em mente que a invasão da Ucrânia teve como base, impedir a expansão da NATO à volta das fronteiras russas e evitar que a Ucrânia se aproximasse ainda mais do ocidente, minando dessa forma a influência russa na região.

E estava claro que como ponto de partida para as negociações de Paz, Vladimir Putin tinha imposto, como condições mínimas para terminar as operações militares, que fosse efetuada a desmilitarização da Ucrânia e que a comunidade internacional reconhecesse a Crimeia como território russo.

Portanto seria obvio que tomadas de posições opostas, teriam de ser debatidas no encontro e não fora dele. E o que aconteceu? Exatamente o oposto.

 

As posições públicas de Zelensky

Estavam a decorrer as negociações para se chegar a um entendimento e encontrar o caminho da Paz, quando o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky começou por pedir o cessar-fogo imediato e a retirada das tropas do território ucraniano.

O cessar-fogo, têm a sua lógica, mas pedir a retirada das tropas inimigas do cenário de guerra… Afinal estamos a brincar aos cowboys ou que? Quem é que estando numa posição de força, cede o seu lugar, perdendo dessa forma poder negocial? Alguém são de espírito algum dia pensaria que tal pudesse acontecer? Claro que não. Será que Zelensky não percebeu que tal exigência seria uma provocação clara e inquinaria as conversações?

Como se não bastasse, o presidente ucraniano deu início a um processo, no Tribunal Penal Internacional de Haia, acusando Vladimir Putin de crimes de guerra. Mas não se ficou por aí. A cereja no topo do bolo foi a assinatura e pedido formal de adesão do país à União Europeia.

Ou seja, tudo posições contrárias às “razões russas”, usadas para justificar a invasão e também aos termos das negociações, com um acréscimo de “veneno”, ao acusar Putin de “criminoso de guerra”.

É isto a posição de quem deseja a Paz? Pelo “meu livro” diria que não, mas ao que parece o “livro” de Zelensky é diferente do meu.

 

A posição da União Europeia

Ironicamente, parece não ser apenas Zelensky a não querer a Paz. Após o seu pedido de adesão à União Europeia, Ursula Von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, defendeu a adesão da Ucrânia à EU afirmando que, depois de anos de cooperação, já está na altura de a Ucrânia entrar.

E eu pergunto. E então a Turquia, a Albânia, o Montenegro, a República da Macedónia do Norte e a Sérvia? Não tem eles prioridade, pois já formalizaram à mais tempo o pedido e estão a cumprir com as exigências da UE para a adesão? Será então que basta entrar em guerra com o “vizinho” e dessa forma passar à frente de todos?

E é preciso não esquecer que se a loucura da adesão da Ucrânia for em frente, pelo menos por agora, não quer dizer que de futuro isso não possa vir a acontecer, irá abrir um precedente, permitindo que os vários países europeus, se sintam no dever de ajudar um colega seu da união, levando a europa para uma nova guerra em vez de a evitar.

 

A comunicação social

E como não poderia deixar de ser, a comunicação social divide-se em três partes, os neutros que se limitam a informar o ocorrido, aqueles que são a favor dos russos e como tal legitimam o ataque com desculpas do passado e os extremistas que claramente fazem afirmações explosivas, incentivando à guerra, acusando a NATO e a Europa de terem medo de enfrentar a Rússia.

 

Conclusão

Não podemos esquecer que, após as movimentações de tropas da NATO, para reforçar os países bálticos e do início das sanções económicas à Rússia, Putin colocou o arsenal nuclear de prevenção em alerta máximo, aumentando por isso o risco de uma guerra nuclear, aproximando dessa forma o relógio atómico da fatídica meia-noite.

E mesmo não levando em conta que a Rússia sozinha, tem mais armas nucleares que o resto do mundo em conjunto (EUA incluídos), basta que sejam disparados uns míseros 10 misseis intercontinentais balísticos (ICBM) para se instalar o caos e ocorrer o “Inverno Nuclear“.

Mesmo assim, ainda há uma “luz ao fundo do túnel” já que a segundo a agência de notícias russa, TASS, haverá uma segunda ronda de conversações entre russos e ucranianos já nesta quarta-feira dia 2 de Março.

Para terminar, recordo-vos uma pequena história que se passou após o lançamento das bombas atómicas sobre Hiroxima e Nagasaki, no Japão.

Numa entrevista a Albert Einstein, perguntaram-lhe se ele saberia antever que tipo de armamento seria utilizado numa terceira guerra mundial, a que ele retorquiu.

“Não sei que tipo de armas serão utilizadas numa terceira guerra mundial, mas posso-vos garantir que na quarta serão paus e pedras”.

E quanto a mim, ele foi optimista…

 

O que achas desta situação? Será que o presidente da Ucrânia está a forçar a europa a entrar na guerra em vez de optar pela Paz? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Ver Também:

A Crimeia e o Donbas no contexto da invasão

Imagem: © 2022 Francisco Lopes-Santos

  • Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos. neste momento exerce as funções de Chefe de Redação da Mercados Africanos.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Es vergonzosa tu objetividad calificando las posiciones de quienes optan en este conflicto: 1 neutrales neutros, 2 neutrales a favor de Rusia y 3 extremistas contra la Otan…
    Con eso lo dices todo.
    Espero que ningún muerto en esta guerra recaiga sobre tu conciencia.

  2. É evidente que os presidentes da Rússia e o da Ucrânia teem problemas de saúde.
    Certamente nunca pararam pra pensar no que Deus requer dos mesmos.
    Se destroem, qdo na realidade deveriam estar construindo.
    Deus vai falar com os mesmos e a guerra entre eles vai acabar

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