Afinal os países pobres pagaram, ainda mais este ano, pelo serviço da dívida.

A organização não-governamental (ONG) Comité para o Jubileu da Dívida, em comunicado lido por Mercados africanos, acusou, a 13 de outubro 2021, o grupo das 20 economias mais industrializadas do mundo (G20) de “estar a dormir” relativamente à questão do elevado endividamento dos países vulneráveis.

Segundo os dados apresentados pelo Comité para o Jubileu da Dívida, retirados da base de dados estatística do Banco Mundial, “a DSSI levou à suspensão de menos de um quarto dos pagamentos de dívida para os países que aderiram, com os credores privados a receberem o maior volume de pagamentos de dívida, 14,9 mil milhões de dólares [12,8 mil milhões de euros], tendo suspendido apenas 0,2% dos pagamentos”.

“O G20 está a dormir relativamente à questão da crise da dívida, que se intensifica nos países de baixo rendimento”, disse Tim Jones, diretor de Políticas da ONG dedicada à sustentabilidade da dívida pública.

“O esquema de suspensão da dívida do G20 suspendeu menos de um quarto dos pagamentos, e os planos de reestruturação da dívida não reestruturou nenhuma dívida”, sublinhou Tim Jones, diretor de Políticas da ONG numa nota lida por Mercados Africanos.

As declarações desta ONG Britânica, conhecida pelas suas posições sobre o endividamento dos países mais vulneráveis, foram feitas no início da semana em que os ministros das Finanças do G20 se reuniram, durante os Encontros Anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.

A ONG lamenta que os ministros das Finanças do G20 não tenham sido mais afirmativos quando reafirmaram “a importância de os credores privados oferecerem tratamentos da dívida em termos pelo menos tão favoráveis [como os dos credores públicos], em linha com o princípio do tratamento comparável”.

O Comité para o Jubileu da Dívida acrescentou que “O comunicado [do G20] não anuncia quaisquer medidas que obriguem os credores privados a entrar nas reestruturações de dívida” dos países mais vulneráveis, entre os quais está a Zâmbia, o Chade e a Etiópia, que pediram para aderir ao Enquadramento Comum para além da Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI), criada em abril de 2020 para ajudar os países a suportarem o reforço da despesa pública nos sistemas de saúde.

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