África deficitária no comércio com a Rússia.

No contexto da guerra Ucrânia/Rússia a fazer valer também as relações privilegiadas que teve com o continente africano nos anos 60/70 e 80 durante o apoio da União Soviética às guerras de libertação colonial e contra o Apartheid, a maior parte dos países africanos votaram contra ou não se pronunciaram sobre a invasão da Ucrânia.

Vai ser interessante saber até quando esta posição será assumida considerando a dependência desses países de financiamentos seja da ONU ou da UE e que as pressões serão fortíssimas para que se alinham com as posições e votos ocidentais, da ONU e de outros sistemas multilaterais.

No entanto a realidade económica mostra que apesar de em 2020, o comércio russo-africano ter estagnado em cerca de 14 mil milhões de dólares, no contexto da covid-19, a balança comercial da África com Moscovo permanece amplamente negativa, com um déficit estimado em mais de 10 mil milhões de dólares.

A África importa cerca de sete vezes mais mercadorias da Rússia do que exporta segundo os dados sobre as trocas comerciais Rússia-África compilados pela Agência Ecofin com base em números do TradeMap, o banco de dados da OMC dedicado ao comércio internacional.

Em 2020, a Rússia exportou 12,4 mil milhões em mercadorias para a África e em troca, os países africanos venderam apenas 1,6 mil milhões em mercadorias para a Federação Russa. Isso resulta em um déficit comercial de 10,8 mil milhões para o continente.

De notar que em termos de comercio global a Rússia detém apenas 2,4% de comercio com África contra 19,6% da China, de longe o principal fornecedor do continente, 5% para os Estados Unidos, França ou Índia.

Ao analisar os dados, notamos que as importações africanas são dominadas por cereais, que representam quase 30% de todas as importações da Rússia. Recorde-se que exporta principalmente trigo (cerca de 95% dos cereais exportados) para países africanos.

Essa situação também ajuda a explicar a preocupação dos analistas financeiros com o aumento dos preços do trigo após a guerra na Ucrânia.

Mais da metade dos abastecimentos africanos de trigo russo são importados pelos países mais populosos do continente, a saber: Egito, Sudão, Nigéria, Tanzânia, Argélia, Quênia e África do Sul.

Além do trigo, combustíveis minerais como carvão, derivados de petróleo e gás representam 18,3% das compras africanas da ex-URSS.

Por sua vez, a África vende principalmente frutas e vegetais comestíveis, produtos aquáticos, bem como produtos químicos orgânicos e metais preciosos.

Recorde-se que apesar da diminuição do volume de comércio entre as duas partes, as exportações de África para a Rússia aumentaram 2% entre 2019 e 2020, enquanto as importações da Rússia caíram 6,5% no mesmo período.

Esses números surgem no momento em que o Kremlin lançou a sua estratégia para recapturar o mercado africano nos últimos anos.

Em 2019, o presidente Vladimir Putin organizou uma Cimeira África-Rússia para esse fim, que reuniu mais de 40 líderes africanos para discutir cooperação.

Na altura, o objetivo declarado do Chefe de Estado russo era lançar as bases para permitir que a Rússia “duplicasse o seu comércio com a África nos próximos quatro a cinco anos”.

Embora as relações comerciais entre a Rússia e a África ainda sejam fracas, de Moscovo aposta mais do que nunca no setor político-segurança.

Nos últimos anos, a Rússia ascendeu efetivamente ao posto de principal parceiro político em dois países africanos – a República Centro-Africana e o Mali – que até então eram considerados parte da esfera de influência francesa.

De sublinhar os contactos militares privilegiados que a Rússia continua a ter com os países saídos da chamada então “linha da frente” da época do combate contra o Apartheid e das lutas de libertação.

Também as intervenções no processo de paz líbio, as vendas de armas a vários países do continente em particular a Argélia e o Egipto, e o apoio aos Estados do continente no âmbito do combate à Covid-19 são percebidos por especialistas como sinais evocativos do avanço diplomático russo no continente africano, que não deixará de se manifestar durante e sobretudo depois do fim do conflito na Ucrânia.

 

O que achas das relações Rússia-Africa? Deveríamos aumentá-las ou unir-nos ao boicote? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Ver Também:

O Diabo e o Bicho-Papão (na guerra da Ucrânia)

Imagem: © 2019 Alexander Ryumin / TASS

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