África e a subida do preço do petróleo.

Numa série de 3 artigos Mercados Africanos analisa as implicações na subida vertiginosa dos preços do petróleo para os países que o produzem em África.

No continente africano países produtores do Brent tais como Angola, Nigéria, Gabão, Guine Equatorial, mas também os produtores de gás natural, devem estar a fazer contas em alta, já que os Orçamentos Gerais do Estado (OGE) foram feitos e aprovados com preços a rondar os 60/65 dólares o barril.

A guerra Rússia/Ucrânia e a subida do preço do petróleo, está seguramente, na cabeça de todos os ministros – e ministra, no caso angolano – das finanças desses países.

Claramente que pode ser uma ocasião para equilibrar algumas contas, dependendo do tempo e até quando continuará a subida do que já foi apelidado, em tempos que já lá vão, de “ouro negro”.

 

A questão é a de se saber até quando. E isto porquê?

Porque se a situação se mantiver e os preços continuarem a subir e afetar a bolsa das famílias e consequentemente das economias ocidentais, com a inflação a crescer, também devido ao aumento de produtos como o trigo e o milho – a Rússia e a Ucrânia exportavam 30% da produção mundial – logo subidas de artigos como o pão e alimentação animal.

E é preciso não esquecer que a esses veem-se juntar o gás, como tal, o apoio “a passo de corrida” às alternativas energéticas será lançado pelo Ocidente, aliás, isso já está à vista.

Será feito o mesmo como quando foi necessário encontrar vacinas contra o COVID-19, na altura em que a pandemia parou os centros financeiros e económicos globais. Nunca o mundo tinha visto uma vacina ser desenvolvida e aprovada em tão pouco tempo.

Assim, antes que as economias africanas dependentes do petróleo comecem a “lançar foguetes antes da festa” ou “ponham a carroça à frente dos bois”, ou seja, comecem a fazer promessas de “muitos e fundos” é bom que não se esqueçam que nada mudou.

Isto é, os esforços globais e sobretudo o das economias ocidentais para desenvolver as alternativas aos “fósseis” vão-se acelerar.

Concordamos que num primeiro momento com a “torneira” do gás russo a fechar-se aos países europeus, haja enormes possibilidades para que o gás africano seja comprado a preço elevado na Europa.

Mas tal como com o petróleo, esta oportunidade deve ser utilizada de forma estratégica, ou seja, não esquecer que a energia produzida a partir do sol, do vento, das ondas do mar, e outras fontes renováveis serão/são a prioridade.

 

Qual é a solução?

Portanto na nossa opinião seria importante que, por exemplo, em vez de se pensar em primeiro lugar, pagar interesses da dívida, ou mesmo fatias dessa dívida, que os países africanos produtores de petróleo, analisassem e estrategicamente, usassem esta oportunidade inesperada, para investirem na diversificação económica, neste caso, nas renováveis e posicionarem-se.

Se houver tempo suficiente para que se considere esta situação provocada pela guerra na Ucrânia, como mais um “boom” petrolífero, desta vez, a liderança dos países africanos que o produzem, mas também as instituições africanas de desenvolvimento, vão ter que pensar “para dentro” e tomar as decisões que se impõem.

O erro a cometer será tomar decisões que eventualmente sejam apontadas ou direcionadas do exterior, sobretudo as que vão insistir ou alertar para que se use esta “oportunidade” para acelerar o pagamento dos juros da dívida.

 

O que achas desta situação do petróleo? África estará preparada para lidar com esta situação? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Ver Também:

Polónia/Ucrânia, países irmãos… No racismo

África: ganhos e percas na guerra da Ucrânia

Imagem: © Alliance / DPA

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