As relações do Brasil com países africanos são históricas e muito vastas, mas a política externa do país sul-americano comandado desde o ano passado pelo Presidente, Jair Bolsonaro, a respeito de ações de cooperação, investimento e trocas comerciais com países africanos ainda estão indefinidas, avaliou João Bosco Monte, presidente do Instituto Brasil África (Ibraf) em entrevista exclusiva para Mercados Africanos.

“Não digo que o continente africano foi esquecido porque não dá para esquecer, mas também não houve uma declaração clara do Presidente de qual seria a pauta de sua política externa para a África”, avaliou Monte.

“Talvez não tenha havido para muitas regiões. O Presidente Bolsonaro não conseguiu ainda definir, nem o ministro [das Relações Exteriores] Ernesto Araújo para onde a política externa brasileira vai apontar. É importante definir algumas prioridades. Parece que a prioridade brasileira era e é a conversa com os Estados Unidos. Não sei como será num governo liderado por Joe Biden”, acrescentou.

Fundado em 2013, o Ibraf é uma organização sem fins lucrativos voltada para o incentivo das relações entre o Brasil e o continente africano, defendendo o desenvolvimento económico dos governos e dos interesses do setor privado.

Embora Monte tenha uma avaliação crítica em relação a indefinição da polícia externa brasileira, ele fez questão de lembrar que o vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, participou de um evento organizado pelo Ibraf em 2019 e destacou a importância da África para o maior país da América do Sul.

“Ele [Hamilton Mourão] foi muito claro em dizer que a África era importante, não falou prioridades, mas falou que a África era importante. Ele teceu comentários muito elogiosos e contundentes da necessidade de o Brasil voltar a conversar, ou continuar a conversa com países daquele continente”, ponderou.

Na avaliação do presidente do Ibraf, as declarações de Mourão foram um sinal muito positivo e mostraram que de facto para o Brasil a África não estava riscada do mapa.

No entanto, ele destacou que “é importante que as ideias se materializem. Eu não vejo estes dias a materialização deste conceito de que a África é importante para o governo”.

“Existe uma palavra que eu escuto muito na conversa com muitos brasileiros e africanos que é a palavra potencial. A relação tem um potencial imenso, muitas pessoas falam isto. Eu as vezes falo também, mas é importante sabermos que potencial não paga as contas”, completou.

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