África: ganhos e percas na guerra da Ucrânia.

Numa série de 3 artigos Mercados Africanos analisa as implicações da guerra da Ucrânia na subida vertiginosa dos preços do petróleo para os países que o produzem em África.

No continente africano países produtores do Brent tais como Angola, Nigéria, Gabão, Guine Equatorial, mas também os produtores de gás natural, devem estar a fazer contas em alta, já que os Orçamentos Gerais do Estado (OGE) foram feitos e aprovados com preços a rondar os 60/65 dólares o barril.

 

A economia em África

Tal como tínhamos escrito no primeiro artigo o impacto deste conflito, é sentido em África em termos económicos, com os países africanos produtores de petróleo a beneficiarem do aumento vertiginoso dos preços do petróleo e do gás nos mercados internacionais.

Com esta oportunidade inesperada esses países africanos têm aqui uma ocasião, com esses recursos extras, para reforçarem a diversificação económica de forma efetiva e sustentável, considerando por exemplo, que o gás natural do continente africano poderá reduzir a dependência da Europa da energia russa.

O caso da ExxonMobil que por causa da guerra já abandonou um importante projeto na Rússia, abona nesse sentido.

Em termos de gás natural países como a Tanzânia, o Senegal, a Nigéria, a Argélia e claro está Moçambique serão os grandes beneficiários da diversificação das fontes de importação energética da Europa.

O conflito, sobretudo as sanções económicas à Rússia, podem também beneficiar exportadores de outros recursos naturais africanos, tais como o ouro, diamantes, o paládio, um insumo crítico para automóveis e eletrónicos.

 

No entanto há um “reverso da medalha”.

Convém não esquecer que esses mesmos países importam combustível e estando mais caro o petróleo bruto nos mercados internacionais, o custo do combustível também está a aumentar.

Tal como analisamos num artigo recente, África continua a ter grandes vulnerabilidades em matéria de segurança alimentar e vários países africanos importam trigo ucraniano e russo.

Os dois beligerantes, Rússia (1º produtor mundial) e Ucrânia (4º produtor mundial) sozinhos representam mais de 29% das exportações de trigo em todo o mundo (respetivamente 17% e 12% cada) e representam 32% do comércio mundial.

Países grandes consumidores de trigo como o Sudão, Marrocos, Argélia, Tunísia e sobretudo o Egipto, estão em alerta máximo, a acompanhar de perto a situação de guerra na Europa.

O maior importador de trigo do mundo e segundo maior cliente da Rússia, o Egito, que comprou 3,5 milhões de toneladas de trigo até meados de Janeiro de 2022, anunciou esta semana que tem nove meses de reservas.

O segundo consumidor de trigo do continente e quinto maior importador de cereais, a Argélia, por sua vez, anuncia ter seis meses de reservas. Será suficiente?

Mais ao sul, a situação também não é muito melhor, já que a Etiópia, Angola e o Quénia são igualmente grandes importadores.

O aumento da energia nos mercados mundiais vai fazer subir os custos dos insumos – ureia e fosfato – para a fabricação de fertilizantes muito utilizados no continente africano.

 

Conclusão

Este cenário que à primeira vista parece muito favorável ao continente africano, devido à subida dos preços do petróleo e do gás, terá que ser analisados nos seus diferentes ângulos e se ganhos houver, investi-los na diversificação económica e nas energias renováveis.

 

O que achas desta situação? África estará bem preparada para suportar esta guerra? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Ver Também:

África e a subida do preço do petróleo

Imagem: © 2022 Francisco Lopes-Santos

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