Há que aproveitar a recuperação económica africana pós pandemia para acelerar a transformação do continente. Para isso é necessário apoiar de forma decisiva a industrialização e mudar o paradigma de infraestruturas projetadas para a extração dos recursos sem valor agregado, para uma de agregação de valor.

O desenvolvimento do agronegócio e a agroindústria são de primeiro plano para apoiar essa transformação. A produção agrícola é um dos setores econômicos mais importantes na maioria dos países africanos.

Aproximadamente 75% dos africanos dependem deste setor para a sua subsistência. A expansão do agronegócio e das agroindústrias pode vir a ser um sector de grande crescimento nos pós COVID-19 ao proporcionar valor agregado imediato através da industrialização baseada em produtos agrícolas que impactam a economia tanto a montante como a jusante.

Por exemplo produtos agrícolas tais como o café, o cacau, o chá, o caju, o algodão, entre outros, são exportados não processadas – sem agregação de valor – e depois importados com valor agregado.

A diferença nos preços de exportação e importação beneficia os países importadores e prejudica os países exportadores africanos. Produtos de origem animal, legumes e frutas devem também ser processados.

Com um quarto da força de trabalho jovem do mundo até 2050 e uma percentagem de crescimento urbano, com mais do dobro da global, África tem os ingredientes necessários para uma rápida industrialização.

O agronegócio e as agroindústrias são as respostas a procura dos consumidores urbanos por alimentos, principalmente alimentos processados para além de criar e fortalecer as articulações entre a produção e o comércio, e das sinergias entre diversos atores da cadeia de valor do agronegócio e das agroindústrias (produtores, comerciantes, processadores e exportadores).

Para tal as políticas africanas devem concentrar-se em aproveitar os recursos hídricos para irrigação, oferecer preços estáveis ​​e acabar com subsídios artificiais, usar sementes com melhores rendimentos, criar infraestrutura básica de transporte, para melhorar o mau acesso entre as zonas de produção e as atividades posteriores, tais como como processamento e comercialização.

É também necessário oferecer incentivos para as instituições financeiras investirem tanto na agricultura comercial e ajudarem a desenvolver um setor de agronegócio lucrativo e competitivo. Os governos tem que apoiar e implementar políticas regionais de livre comércio, abandonar as proibições de exportação e importação e remover barreiras não tarifárias, entre outras medidas.

A energia é fundamental no processo de industrialização. Para tal as políticas tem que valorizar o potencial de energia renovável africano e oferecer soluções de energia economicamente competitivas para localidades rurais e urbanas remotas para apoiar agronegócio e as agroindústrias.

De igual modo apoiar as start ups africanas que rapidamente estão a abrir o caminho a tecnologias aplicadas a agricultura tais como soluções de banco móvel, de analises de microclimas, plataformas comerciais que desempenham um papel importante em conectar de pequenos produtores a compradores.

Ao impulsionar gradualmente o processo de industrialização e transformação do continente, esta mudança vai criar, no imediato, oportunidades de negócios a muitos pequenos agricultores, e gerar empregos modernos para os jovens do continente.

Os cerca de 50 mil milhões de dólares americanos gastos anualmente por África em produtos agrícolas importados, devem ser usados para promover o agronegócio e as agroindústrias e assim, a transformação do continente.

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