África quer uma transição energética, mas justa

Sem dúvida um dos grandes temas globais, a transição para energias limpas e sustentáveis, foi debatido pelo continente africano, a semana passada em Cabo Verde.

Sob o tema “Rumo a uma transição justa que proporcione empregos, prosperidade e resiliência climática em África: Alavancando a economia verde e azul”, terminou esta sexta-feira, 17 setembro 2021, na ilha do Sal, em Cabo Verde, a Conferência para o Clima e Desenvolvimento em África, que serviu de preparação para a 26ª edição da conferência das alterações climáticas da ONU, que vai decorrer em Novembro 2021, em Glasgow, capital da Escócia.

É importante que África, esteja no centro deste debate já que tem feito o possível para diminuir as suas emissões de CO2, sobretudo num continente em que mais de 600 milhões não têm acesso a serviços básicos de energia que se traduz pela falta de luz doméstica, altos custos de energia para as indústrias, na qualidade dos serviços de educação e saúde e dificulta e atrasa a inclusão financeira e digital.

Embora os custos de acesso e utilização das renováveis, particularmente, solar e eólica, estejam a baixar e se tornem cada vez mais competitivos, o continente africano, apesar de abundar em Sol e Vento, ainda está muito aquém, em relação ao resto do mundo, em termos de custo por megawatt/hora.

Com uma população de 1,3 mil milhões e em crescimento rápido, maioritariamente jovem e em busca de trabalho e oportunidades, é fundamental que a transição para fontes de energia renováveis continue a progredir não somente  como forma de preservar o meio ambiente, mas também como um setor com enorme potencial para dinamizar o crescimento económico, à medida que o continente vai deixando as principais fontes de energia tradicionais e herdadas da colonização que têm sido sobretudo o carvão e o petróleo.

Mas a forma como o continente vai deixando os combustíveis fosseis e incorpora as energias renováveis na sua economia – ou seja a transição energética – tem que ser feito de forma tal, que o crescimento económico não seja afetado.

Não seria justo que o continente que menos poluiu e polui, seja o que tenha que retardar a sua industrialização e desenvolvimento, visto que para muitas das economias dos países africanos a exportação de petróleo bruto, carvão mineral e metais geram receitas substanciais para os orçamentos dos respetivos estados.

Daí a importância desta 9ª edição da Conferência para o Clima e Desenvolvimento em África, para que os países do continente se preparassem adequadamente e possam assegurar uma voz única, forte e unificada na 26ª Conferência das Partes (COP26) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) em novembro de 2021, em Glasgow, capital da Escócia.

Sobretudo, que possam defender energicamente, nesse fórum global, o papel inestimável desempenhado pelos setores público e privado africanos na redução dos gases com efeito de estufa, o esforço e compromisso do aumento na adoção de energias renováveis e principalmente a questão do financiamento da transição enérgica, mas justa do continente.

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