O COVID-19 constitui um desafio enorme global, o maior desde a grande depressão dos anos 20.  Embora a situação no continente atualmente pareça indicar que África tenha sido o menos afetado em termos de casos e mortes confirmados (embora a inquietação seja constante tendo em conta a fragilidade dos sistemas de saúde), as preocupações socioeconómicas do impacto da pandemia são preponderantes.

De lembrar que a economia africana já estava em situação de dificuldade antes da crise. As instituições financeiras internacionais e regionais tinham por duas vezes revisto em baixa a previsão de crescimento para cerca de 3,2%.

Devido às medidas tomadas para diminuir e tentar controlar a propagação do novo coronavírus nos países importadores, a África constata a queda brutal dos preços da maioria dos seus principais produtos e serviços de exportação, como resultado da interrupção da procura e da produção.

Se adicionarmos a esta situação o serviço da dívida de 44 mil milhões de dólares em 2020, que o sector informal está praticamente parado (o qual normalmente permite a subsistência de mais de 80% e 65% de africanos ao sul e norte do Sara respetivamente), a desvalorização das moedas das economias mais fortes do continente (Nigéria, Africa do Sul, Egito) ligada ao aumento de obrigações internacionais em moeda forte. e que o continente não tem as disponibilidades financeiras dos milhares de mil milhões de dólares ou euros, que as economias dos grandes países e blocos beneficiarão como estímulo para a recuperação, assim que o confinamento for aligeirado, o panorama económico e social é, sem dúvida, um dos mais graves, senão o mais agrave, enfrentado pelo continente em décadas.

Além do sistema de saúde, a crise da pandemia de Covid-19 é um sinal de alarme dos muitas insuficiências na infraestrutura socioeconómica básica em África. Esta crise de saúde enfraqueceu ainda mais um ambiente social relativamente precário, exacerbando as necessidades das populações devido ao aumento do desemprego mas sobretudo da falta de rendimentos no dia-a-dia já que o setor informal praticamente fechou.

Isto significa que após o término da pandemia, o continente deverá tornar-se mais autónomo, menos dependente, priorizar os mercados africanos, a inovação, a manufatura local e avançar decididamente para a industrialização.

O comércio intra-africano  deve ser acelerado a começar pela entrada em vigor da Zona de Comércio Livre Continental Africana, (ZCLCA) a segunda maior área de livre comércio do mundo pelo número de países membros e população  e paralelamente reforçar a cooperação intra-africana, especialmente no contexto de recuperação  económica da atual pandemia.

O relacionamento comercial e de negócios com parceiros tradicionais, ou não, terá de mudar. Os países africanos devem claramente obter parcerias, sejam elas com a União Europeia ou China, que apoiem de forma substancial a manufatura, a produção alimentar, a transformação, a criação de valor acrescentado e que conduza á via da industrialização e consequentemente a uma menor dependência.

De imediato é necessário tranquilizar a população e para tal é fundamental a boa governação e transparência na gestão da crise gerada pelo COVID-19, e sobretudo dos fundos, públicos e privados nacionais ou internacionais, alocados para esse fim.

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