África sem eletricidade, mas com futuro Verde.

O acesso deficiente à eletricidade é um dos maiores desafios de desenvolvimento, enfrentados por muitos países africanos. Em todo o continente, milhões de pessoas vivem na escuridão perpétua, sem acesso à eletricidade para uso doméstico essencial, como iluminação, carregamento de telemóveis, laptops, etc.

Esta deficiência de acesso à eletricidade, assenta basicamente em quatro grandes fatores que se repetem praticamente por todo o continente:

  1. Décadas de negligência na construção de infraestrutura
  2. Falta de investimento internacional na eletricidade
  3. Incapacidade estatal de regularizar o sector
  4. Dificuldade na obtenção de apoios para projetos de energia

 

O problema pode ser resolvido? Segundo Bill Lenihan, CEO da Zola Electric, uma empresa que fornece sistemas integrados de “eletricidade inteligente” sediada em cinco países africanos, o problema de acesso à energia da África pode ser resolvido:

“O que eu sei é que definitivamente pode ser melhorado. Acredito que também podemos resolver o problema de acessibilidade com o ecossistema de energia certo”.

“O ecossistema de energia certo, não é um ecossistema centralizado. Não é o tipo de ecossistema de rede. Os sistemas de rede tiveram a chance de resolver este problema durante cem anos e não o resolveram”.

“Na minha opinião, a energia distribuída, digital e renovável resolverá o problema de acessibilidade energético em África”.

 

O que é o acesso à eletricidade?

De acordo com o Banco Mundial, o acesso à eletricidade tem a ver com a percentagem de pessoas, dentro de um determinado local ou país, que tem eletricidade estável. Os dados usados ​​para determinar o acesso à energia são obtidos de diferentes fontes, incluindo empresas, indústria e pesquisas domésticas.

Um relatório recente da Wood Mackenzie Ltd afirma que os países da África Subsaariana precisariam investir até US$ 350 bilhões entre agora e 2030, para poder melhorar consideravelmente a geração/distribuição de eletricidade na região.

No entanto, o problema do acesso à eletricidade em África não é completamente irremediável. De facto, alguns países (especialmente os do norte de África) estão muito bem. Outros na África Subsaariana, como a África do Sul e o Gabão, também mostraram boas perspetivas no acesso à eletricidade.

 

Como está o acesso neste momento?

Segundo um relatório da Tracking SDG7, “The Energy Progress Report”, elaborado por um painel global dedicado a registar o progresso do acesso à energia em África, de onde fazem parte a Agência Internacional de Energia (AIE), da Divisão de Estatística das Nações Unidas (UNSD) e o Banco Mundial entre outros parceiros, apenas 4 países africanos, tem acessos que se possam considerar ideais.

Esses países, são o Egipto, a Argélia, o Marrocos e a Tunísia com 100% de acesso à energia. O Gabão com 91% de acesso à energia, a África do Sul com 85% de acesso à energia e o Gana com 84% de acesso à energia, são os países que mais se aproximam.

A seguir, com acesso à energia situados entre os 70% e os 50%, temos o Botsuana, o Quênia, o Senegal, a Líbia, a Costa do Marfim, a Guiné Equatorial, os Camarões, a Nigéria, a Namíbia, o Sudão e a Eritreia. Todos os outros países africanos, inclusive os dos PALOP, tem um acesso à energia, considerado precário.

 

Conclusão

Todos nós precisamos de acesso a eletricidade estável e acessível nas nossas casas para estarmos confortáveis ​​e ser produtivos. Seja para iluminar a casa à noite, manter o ar condicionado ligado ou para coisas mais essenciais, como carregar telemóveis, laptops e manter a geleira a funcionar.

Não nos podemos esquecer que a procura de eletricidade, especialmente na África Subsaariana, aumentou para o dobro nos últimos 15 anos e, estima-se, deve aumentar quase mais oito vezes até 2050.

Esta crescente procura é impulsionada por três factores macroeconómicos, o crescimento populacional, a rápida urbanização do continente e a transformação económica estrutural.

Infelizmente, o fornecimento de eletricidade na maioria dos países africanos não só é instável, como, em muitos casos o preço é exorbitante,

Muitos países africanos, como a Tunísia, o Marrocos, o Gana, o Malawi, o Rwanda e inclusive, Angola e Moçambique, estão a apostar nas energias renováveis, com projetos que não só irão suprir as falhas dos seus países como também lhes permitira, vender energia verde a preços acessíveis para os outros países africanos.

É por isso espectável que nos próximos anos, o problema energético em África seja resolvido e, ao que tudo indica, através de energia verde sustentável, o que colocará o continente na vanguarda das energias renováveis.

 

O que achas desta situação? Será que o acesso à eletricidade em África, vai mesmo melhorar? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

Ver Também:

Angola/Itália: Acelerar energias renováveis

Imagem: © 2022 Waldo Swiegers / Bloomberg via Getty Images
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