A África subsaariana foi uma das regiões mais afetadas pelos efeitos da pandemia, mas será também uma das mais rápidas a recuperar, apesar de as suas maiores economias enfrentarem ainda dificuldades.

Os analistas da Capital Economics, uma consultora sedeada em Londres, preveem que a África subsaariana, depois de enfrentar um crescimento económico negativo de 3,2% este ano, recuperem e cresçam já uns sólidos 4,2% em 2021 e 4% no ano seguinte.

“A recuperação na região deverá continuar nos próximos trimestres, apesar de ser particularmente lenta nas maiores economias, a Nigéria, África do Sul e Angola”, dizem os analistas num relatório sobre a recuperação económica.

No documento, alertam para a probabilidade de os países saírem da crise com um nível de dívida pública mais elevado e avisam também para o perigo de, não havendo um acordo de reestruturação nos países mais endividados, haver defaults individuais e desordeiros, o que prejudicaria a capacidade de financiamento dos países africanos nos mercados internacionais.

A Zâmbia, o primeiro país a ser colocado em default por uma agência de rating, é, para já, a exceção, com todos os outros a assegurarem que não vão pedir um alívio da dívida aos credores privados, uma iniciativa que os colocaria automaticamente em default e, consequentemente, de fora do financiamento comercial internacional.

“Os planos genéricos de alívio da dívida para a região estão num impasse, significando que há um elevado risco de defaults unilaterais por parte dos países com dívida elevada”, apontam.

Segundo as previsões destes analistas, as Ilhas Maurícias, com um queda de 15%, o Botsuana (10,5%) e a África do Sul (8,5%) são os países mais afetados este ano pelos efeitos da pandemia de covid-19, mas todos vão recuperar em 2021, ano em que, aliás, esta consultora prevê um crescimento de todas as economias africanas, lideradas pela expansão de 10% do Ruanda.

Entre as maiores economias regionais, o panorama não é tão animador, mas ainda assim mostra que 2021 deverá ser o ano do regresso ao crescimento. A Capital Economics prevê uma expansão nas três maiores economias, antevendo uma expansão de 3% do PIB na Nigéria, 4% na África do Sul e 3% em Angola.

Os preços das matérias primas já estão em recuperação no último trimestre deste ano, ajudando a equilibrar a balança de pagamentos destes países, mas ainda assim continuam em níveis historicamente baixos, o que influencia negativamente o andamento na Nigéria ou Angola, muito dependentes do petróleo para equilibrar as finanças públicas, e causando depreciações cambiais que, por sua vez, influenciam negativamente os rácios da dívida pública sobre o PIB, um indicador fundamental para aferir o risco dos países.

Gana e Costa do Marfim, duas estrelas em crescimento

A exceção ao panorama de recessão este ano surge em dois países, os únicos, a par da Tanzânia, que a Capital Economics prevê que vão conseguir evitar um crescimento negativo.

O Gana e a Costa do Marfim deverão crescer perto de 3% mesmo em contexto de pandemia, ao passo que a Tanzânia deverá registar uma expansão de 1,5% do PIB, o que, não sendo suficiente para compensar o crescimento da população, não deixa de ser notável tendo em conta as medidas de confinamento que foram adotadas e o ambiente económico adverso a nível mundial.

“A produção no Gana deverá recuperar relativamente depressa depois de sofrer apenas uma ligeira quebra no PIB no segundo trimestre, e as exportações de ouro vão compensar a descida do setor petrolífero”, diz a Capital Economics, alertando para uma derrapagem no défice orçamental para 12,5% do PIB, o que obriga a medidas de equilíbrio no futuro.

Na Costa do Marfim, as exportações de cacau e ouro vão provavelmente ser insuficientes para compensar as fortes perdas no mercado petrolífero, mas o principal risco à previsão de expansão de 2,5% é mesmo o resultado das eleições a que Alassane Outtara se apresenta, e que estão envoltas em polémica.

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