África tem que processar os seus produtos.

Celebrou-se neste sábado, 20 de Novembro de 2021, o Dia da Industrialização em África, sob o tema: Compromisso Renovado para uma Industrialização Sustentável e pela Diversificação da Economia.

Recordamos que desde 2018, esse dia é marcado com uma semana de eventos em várias partes do mundo.

Comparada com o segundo trimestre do ano passado (2020), a perspetiva para crescimento da produção de manufaturados este ano (2021) nos países africanos, com base em dados preliminares divulgados pela ONU, é de 17,8%.

Neste último trimestre de 2021, vários países já indicaram um aumento da produção de manufaturados, entre eles, a África do Sul (39.3 %), o Ruanda (30.2 %), o Senegal (22.6 %) e a Nigéria (4.6 %).

Claramente, os governos têm um papel importante a desempenhar na natureza e direção da industrialização.

Os países africanos continuam pobres porque continuam a produzir e exportar matérias-primas sem valor agregado para países que depois as transformam e vendem ao continente os produtos derivados dessas matérias.

Por exemplo, 70% do comércio global de agricultura são produtos semi processados e processados, mas a África está praticamente ausente deste mercado e continua a exportar produtos agrícolas não processados para a Ásia e o Ocidente.

O Dia da Industrialização da África é também uma oportunidade de ressaltar que os processos de industrialização tem um impacto enorme nos países do continente a reduzir a exposição a choques externos, alcançar metas de maior crescimento e de diversificação das economias e sobretudo com um impacto direto na riqueza familiar ao erradicar a pobreza através da criação de postos de trabalho.

África pode tirar proveito do contexto da pós-crise para repensar a sua própria industrialização, ou seja, exportar as suas matérias já transformados a começar pelos agrícolas.

Entre tantos outros produtos, a transformação do caju africano, hoje está na sua quase totalidade parte nas mãos de atores localizados na Índia ou no Vietname.

Para evitar a situação que se viveu durante a pandemia, que implicou ter enormes quantidades de castanha de caju não transformada a apodrecerem há que transformar localmente. O exemplo do caju aplica-se a todos os outros produtos agrícolas.

Para tal os termos de negociação têm que ser revistos com todos os parceiros sem exceção, incluindo a China.

Novas políticas têm que impor que as matérias onde a África é o principal produtor mundial ou um dos principais, uma parte da cadeia de valor tem que ser agregada no país ou na sub-região que produz, ou seja, as políticas económicas devem ser orientadas para o processamento da cadeia de valor.

A Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) tem que ter um papel decisivo na promoção da industrialização africana, para que além de exportar matérias com valor agregado, a produção local também se volte para os mercados internos: produtos biomédicos, têxteis, móveis, sumos, pneus, entre outros, terão certamente um mercado enorme dentro do continente.

Para tal é necessário que a liderança africana tenha uma agenda ousada, impulsionada por investimentos liderados pelo setor privado em apoio a transformação industrial, com o necessário investimento em infraestrutura, formação profissional e técnica essencial para enfrentar os desafios da industrialização do continente.

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