Tal como Mercados Africanos noticiou ontem, decorreu nos dias 29 e 30 de abril uma reunião virtual “Diálogo de Alto Nível sobre como Alimentar África” coorganizada pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) a partir de Abidjan, sede do BAD.

O evento reuniu funcionários do governo, chefes de bancos multilaterais de desenvolvimento, parceiros de desenvolvimento, organizações regionais, instituições de pesquisa, líderes empresariais, operadores do setor privado, agências de investimento, academia, organizações da sociedade civil e especialistas africanos e mundiais.

Entre os participantes destacamos:18 chefes de estado de países africanos; Agnès Kalibata, enviada especial do Secretário-Geral da ONU para a Cimeira do Sistema Alimentar de 2021; Tony Blair, presidente executivo do Institute for Global Change; e os chefes da Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO), o Banco de Desenvolvimento Islâmico, o Afreximbank e o Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África.

Um dos presidentes africanos que participou na reunião, foi João Lourenço, de Angola, um dos países membros do Fórum PALOP.

Durante uma excelente intervenção o presidente angolano começou por afirmar ” é importante estabelecer-se uma estratégia de atuação que permita coabitar com a pandemia enquanto esta não desaparece, visando garantir a segurança alimentar, a reativação das economias e a normalização da vida dos cidadãos, conjugando esforços dos governos e o envolvimento do sector privado, da sociedade civil, das universidades e dos centros de pesquisa”.

João Lourenço recordou que a população africana é jovem e terá um papel fundamental na transformação e no desenvolvimento da agricultura e das pescas e enfatizou a necessidade de motivá-los para o empreendedorismo e o agro-negócio, facilitando-lhes o acesso às terras, aos insumos, à formação, aos financiamentos, às novas tecnologias e aos mercados.

Neste sentido o presidente angolano argumentou ” Nos últimos anos, verificamos uma forte vontade dos países africanos e da sua organização a União Africana, no sentido da transformação e da modernização da agricultura, das suas instituições, na melhoria da qualificação e aproveitamento dos quadros técnicos, na definição de novas estratégias e prioridades.

Acrescentando “A população africana é jovem e terá um papel fundamental nessa transformação e no desenvolvimento da agricultura e das pescas. É importante motivar os jovens para o empreendedorismo e o agro-negócio, facilitando-lhes o acesso às terras, aos insumos, à formação, aos financiamentos, às novas tecnologias e aos mercados”.

O presidente angolano não deixou de sublinhar condicionantes tais como os A a fraca industrialização, os baixos preços das matérias-primas nos mercados internacionais, o grande peso da dívida externa que dificultam a reativação das economias africanas.

Depositou também grandes esperanças na entrada em vigor da Zona de Livre Comércio Continental Africana, que enfatizou “vem incentivar as relações comerciais de produtos e serviços entre países africanos, fortalecer a integração regional e reverter a forte dependência da importação de alimentos e outros bens de consumo”.

Mostrou-se preocupado com os efeitos das alterações climáticas e insistiu na implementação do Acordo de Paris,

Recordamos que durante essa reunião, o FIDA e o BAD comprometeram-se a trabalhar em estreita colaboração com os líderes africanos para enfrentar o aumento da fome no continente e assegurar o financiamento adequado para transformar e modernizar a produção de alimentos da África.

Terminamos insistindo sobre a frase pronunciada, durante a reunião, pelo presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Gilbert F. Houngbo:“A África tem potencial para se alimentar e alimentar o mundo”.

Tomás Paquete

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