Alpha Condé: De preso político a presidente ávido de poder

Quando nos recusamos a sair pela porta da frente, acabamos por sair pela janela. É o que se aplica no caso do agora deposto Presidente Alpha Condé.

Claramente que Mercados Africanos recusa a saída através de um golpe de estado, mas o ex-activista e preso político que se tornou presidente da Guiné-Conacri, fez tudo o que pode para violar as suas promessas e juramentos anteriores para poder seguir o caminho tortuoso, sangrento e perigoso que levou ao terceiro mandato, contestado pela grande maioria dos guineenses assim como pelos parceiros da Guiné-Conacri.

Infelizmente o que se passou neste domingo, 5 de setembro 2021, em Conacri, não surpreendeu a redação de Mercados Africanos.

Alpha Condé aprendeu a lição – de ter forçado a passagem para o terceiro mandato contra a vontade da esmagadora maioria dos seus concidadãos – da forma mais dolorosa e humilhante.

Triste final para o homem cuja eleição para o cargo supremo havia despertado tantas esperanças em 2010. Ninguém ficou insensível às imagens do octogenário vestido com uma camisa simples e jeans, descalço, rodeado por militares e divulgadas nas redes sociais e nos média africanos e internacionais.

O adversário histórico do poder, o “apóstolo” da alternância democrática, o preso político pelas justas causas que defendia, ao chegar ao poder, negou todo esse passado de luta e sacrifício para se transformar em mais um presidente ávido pelo poder.

Alpha Condé tinha tudo ao seu alcance para entrar triunfantemente na história e lutar para dar aos guineenses um futuro melhor tais eram as esperanças dos seus compatriotas durante a sua primeira investidura, em 2010. Finalmente veio a cair nas mesmas armadilhas do poder, contra as quais tanto tinha lutado.

O que se passou neste domingo, 5 de setembro 2021, em Conacri, deve servir de lição para outros chefes de estado africanos que se agarram ao poder e que tudo fazem para contornar as disposições da constituição dos respetivos países, a fim de poderem obter um terceiro mandato.

Seguramente, que os eventos que se passam na Guiné-Conacri, dão que pensar por um lado, aos dois presidentes da África Ocidental que recentemente modificaram a constituição para conseguirem um terceiro mandato, e por outro lado, aos outros, que pensam fazê-lo e que deveriam, rapidamente, entender que a única opção é desempenharem os seus dois mandatos da melhor forma e depois, deixar o processo democrático seguir o seu curso e saírem pela porta grande e com todas as honras.

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