Angola: 37% das adolescentes estão grávidas.

37% das jovens adolescentes entre os 15 e os 19 anos, em Angola, já tiveram pelo menos, uma vez grávidas, fazendo com que o País possua uma das mais altas taxas de adolescentes grávidas, na região da África Subsariana.

A maioria dessas adolescentes, reside em Luanda, e segundo os responsáveis da Maternidade Lucrécia Paim, a maioria já teve dois a três partos, sendo que um grande número delas está infectada com doenças de transmissão sexual e muitas delas com HIV (SIDA)

 

Dados Estatísticos

Os dados demonstram que a idade media para o início da vida sexual em Angola esta em torno dos 13 anos e 55% das mulheres adolescentes tiveram o seu primeiro filho antes dos 19 anos.

3% das raparigas, engravidam entre os 12 e os 14 anos e 7% entre os 15 e os 17 anos de idade, respectivamente, sendo que cerca de 7,5% das jovens adolescentes abandona a escola.

O estudo apontou para que na faixa etária dos 14 e 15 anos, a maioria já teve pelo menos um filho, e que as jovens adolescentes entre os 17 e os 19 anos, já fizeram dois ou três partos.

Os dados apontam ainda, para que apenas 29% das adolescentes e jovens (15-24 anos) tem conhecimentos de como ocorre a transmissão do VIH e apenas 29%  sabe quais as formas eficazes de a evitar.

Em declarações à Rádio Nacional de Angola, Marina Coelho, representante assistente de Angola no Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), afirmou:

“A necessidade não atendida entre adolescentes do sexo feminino é de 43% cento [….] aproximadamente 1,3 milhões de jovens raparigas entre os 15 e os 19 anos querem utilizar métodos modernos de planeamento familiar mas não sabem como o fazer”.

As declarações da responsável das Nações Unidas surgem num momento em que os casos de gravidez precoce entre adolescentes estão a aumentar. Os números oficiais do Cunene, apontam para que no ano passado houve um total de 3.131 casos de gravidez envolvendo, na sua maioria, jovens raparigas dos 12 aos 17 anos.

Os números também estão a aumentar no Uíge, o que tem contribuído em grande parte para o abandono escolar.

 

O que faz o governo?

O Governo assume com preocupação os factos, ideia reforçada pela secretária de Estado para a Família e Promoção da Mulher, Elsa Barber, no último encontro em Luanda em que foi discutida a implementação do Protocolo de Maputo.

“Torna-se imprescindível que as raparigas e jovens mulheres africanas concluam os ciclos de ensino e não vivenciem circunstâncias de casamentos e gravidezes precoces que constituem barreiras para efectiva edificação de uma África pacífica, próspera e integral”.

Disse Elsa Barber, reforçando que “ainda há muito a fazer pelos direitos das mulheres em Angola”.

O governo sabe que o maior número de casos de VIH está no seio das adolescentes que praticam relações sexuais desprevenidas, constituindo um grave problema de saúde pública.

Para minimizar a situação, o Governo já está a tomar algumas medidas e a estudar novas estratégias que têm de ser reforçadas.

A gravidez na adolescência tem sido reportada como um dos principais desafios a enfrentado em Angola. Indicadores precisos para dimensionar o problema e apoiar a tomada de decisões, não estão disponíveis. Entretanto, este é um tema recorrente, observado na comunidade, nos serviços de saúde, especialmente nas maternidades e nas escolas.

 

Conclusão

De modo geral em Angola, à semelhança do que acontece em muitas partes do mundo, as adolescentes que engravidam são as com baixo nível de escolaridade, que convivem em contextos de pobreza e vivem nas áreas rurais e periurbanas.

Ao descobrirem a gravides, além de enfrentar conflitos familiares enfrentam, na sua maioria, a fuga à paternidade, a adolescente, geralmente, também abandona a escola, passando a ter como preocupação a necessidade de buscar formas para se sustentar a si e ao seu bebé.

Outros problemas que afectam directamente a saúde dos adolescentes e jovens são o consumo abusivo de álcool e outras drogas ilícitas além dos acidentes de viação.

Quando uma jovem rapariga fica grávida, o seu presente e o seu futuro alteram-se radicalmente e, raramente, é para melhor. A sua educação muitas vezes é interrompida e as suas perspectivas de emprego desaparecem na totalidade, tornando-se mais vulneráveis à pobreza, à violência, ao casamento precoce, à exclusão e à dependência.

 

O que achas desta situação? Este problema será mais ou menos grave no resto de África? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

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Imagem: © gettyimages

Autor

  • Ex-atleta olímpico, tem um Doutoramento em Antropologia da Arte e dois Mestrados um em Treino de Alto Rendimento e outro em Belas Artes. Escritor prolifero, já publicou vários livros de Poesia e de Ficção, além de vários ensaios e artigos científicos. neste momento exerce as funções de Chefe de Redação da Mercados Africanos.

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