Angola: Adversários eleitorais trocam “mimos”.

A campanha eleitoral em Angola, está a ser marcada por troca de insultos entre os principais candidatos.

No termo da terceira semana de campanha eleitoral, o MPLA e a UNITA, trocam “mimos”, com João Lourenço, presidente dos “camaradas”, a acusar o líder da oposição, Adalberto Costa Júnior, de ter recebido dinheiro roubado de Angola por “marimbondos”.

Duas formações políticas estreiam-se nestas quintas eleições gerais, são o Partido Nacionalista para a Justiça de Angola (P-Njango), de Dinho Chigunji, e o Partido Humanista de Angola (PHA), cuja presidente é a jornalista Bela Malaquias.

Angola tem eleições gerais marcadas para 24 de Agosto deste ano, 2022, com sete partidos políticos e uma coligação de partidos a desdobram-se em campanhas para convencerem pouco mais de 14 milhões de eleitores, incluindo, pela primeira vez, 22 mil cidadãos residentes no estrangeiro.

 

MPLA versus UNITA

O MPLA, na voz de João Lourenço, acusou Adalberto Costa Júnior e a União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA) de selarem pacto com corruptos que desviaram dinheiro saído do País, para financiar a campanha do “Galo Negro”.

“O irónico é que esses que defendem esse ponto de vista, fizeram um pacto com os corruptos. Estão a comer no prato dos corruptos. Estão a ser financiados pelos dinheiros saídos de Angola pela porta da corrupção”.

Desabafou o presidente dos “camaradas”.

Ainda no decurso da campanha eleitoral, João de Almeida Martins, secretário para os Assuntos Políticos e Eleitorais MPLA, também se atirou contra Adalberto Costa Júnior, ao negar que, convidou o líder da UNITA para um acordo de uma transição de poder.

O político dos “camaradas”, mais conhecido popularmente como “Jú” Martins, refuta ter negociado um acordo pós-eleitoral num encontro com o líder da UNITA, reconhecendo que conversou com Adalberto Costa Júnior, mas a pedido do político do “Galo Negro”.

“Abordado pelo presidente do grupo parlamentar do MPLA, no sentido de se disponibilizar para um encontro com o presidente da UNITA, do qual deu nota ao presidente do partido”.

“Nós realizamos este encontro no dia 27 de Maio, no período da tarde, e dialogámos mais de três horas com o actual presidente da UNITA”, recordou.

 

UNITA desvaloriza acusações

Relativamente ao pacto, o cabeça de lista da UNITA negou, no Dundo capital da província da Lunda Norte, que o seu partido tenha feito um pacto com “gatunos” fugidos de Angola.

“O Ministério das Obras Públicas gastou 18 mil milhões, a Casa da Presidência da República também gastou 12 mil milhões, mas não existem estradas porque guardaram o dinheiro no bolso”.

“Agora dizem que nós comemos com os marimbondos”, respondeu o presidente da UNITA.

Sobre o acordo pós-eleitoral, Adalberto Costa Júnior confirma que manteve um encontro com membros do MPLA para tratar de uma eventual transição pós-eleitoral.

A UNITA confirma que a transição negociada foi um dos temas do tal encontro com os dirigentes de topo do MPLA.

“Angola é uma democracia. Pertence aos angolanos. Mas eles não pensam assim! Eu continuarei a dialogar com qualquer pessoa, dirigente ou partido que queira o bem para este país”.

Atirou Costa Júnior a partir da sua página, insistindo ainda que “a hora é agora” para a alternância porque,

“Os angolanos querem uma vida melhor para si, para os seus filhos, para as suas famílias” e que “é grande e generalizado o sofrimento e o desejo de uma vida melhor”.

 

Transparência eleitoral

A UNITA, o maior partido da oposição em Angola, tem relatado várias irregularidades que podem manchar o decurso de todo o processo eleitoral.

No âmbito das acusações, a formação fundada por Jonas Savimbi queixa-se pela forma como tem sido conduzido o processo eleitoral, atraso na publicação dos cadernos eleitoral e a presença de pessoas já falecidas no Ficheiro de Cidadãos Maiores (FICM) habilitados para exercerem o seu direito de voto.

A União Nacional para Independência de Angola fala em cerca de dois milhões de angolanos já falecidos que constam nas listas para votar nas eleições a 24 de Agosto e também há casos na diáspora.

Recorde-se que concorrem às eleições de 24 de Agosto de 2022, o MPLA, a UNITA, a FNLA, a P-NJANGO, o PHA, o PRS, a APN e a Coligação Eleitoral Casa-CE.

 

O que achas destes “mimos” na campanha eleitoral angolana? Existe de facto, democracia em Angola, ou é só fachada? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

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Imagem: © 2022 DR

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Autor

  • licenciando em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Jean Piaget de Angola (UNIPIAGET). Já trabalhou para vários órgãos locais. Atualmente é um dos correspondentes da Rádio France Internacional (RFI), em Angola e agora, também nosso Jornalista correspondente em Angola.

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