O analista Gerrit van Rooyen diz que a aprovação da quarta revisão do programa de assistência financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) a Angola resulta do facto de o segundo maior produtor de petróleo na África subsaariana estar a cumprir as promessas que fez.

“Fazemos eco do sentimento do FMI de que as autoridades estão, na sua maioria, a cumprir as promessas de melhorar a governação e a sustentabilidade orçamental e externa”, diz o analista num comentário sobre a aprovação da entrega de uma nova tranche a Angola, no valor de quase 500 milhões de dólares, consultado pelo Mercados Financeiros.

Para o analista da KFC African Economics, a filial africana da Oxford Economics, “Luanda conseguiu adotar um orçamento conservador para este ano, prevendo uma redução do défice orçamental e utilizando uma referência prudente para o preço do petróleo, nos 39 dólares por barril, apesar das crescentes necessidades de financiamento para lidar com os impactos económicos e sanitárias da pandemia da covid-19”.

Esta semana o FMI aprovou a quarta tranche do empréstimo, de um total de mais de 4,5 mil milhões de dólares, ao abrigo do programa de ajustamento económico que vigora desde 2018.

“Os passos credíveis que o Governo tomou nas reformas aumentam as hipóteses de uma recuperação económica e de sustentabilidade financeira”, diz o analista, argumentando que são estas alterações que “justificam o apoio recente que os credores deram às autoridades, desde que os esforços sejam mantidos e que os fatores externos não se deteriorem materialmente”.

E é aqui que Angola corre o maior risco: o país enfrenta uma dívida pública a rondar os 120% do PIB, este ano, ou seja, tem um elevado risco de ter uma dívida stressada, “uma situação em que um país se debate para servir a sua dívida e precisa, ou está a beira de requerer, uma reestruturação da sua dívida”.

O apoio financeiro do FMI e a adesão à Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida, do G20, dão respaldo a Angola até pelo menos junho deste ano, mas isso pode não chegar, alerta o analista: “Os principais que podem obrigar a uma reestruturação dos empréstimos comerciais são outro ‘crash’ dos preços do petróleo ou uma inadequada geração de receitas não petrolíferas, sendo ambas podem materializar-se se a pandemia de covid-19 e a recessão global não melhorarem significativamente este ano”, concluiu o analista.

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