Angola quer mais apoios para o setor privado.

O Governo de Angola quer que o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) aposte menos nos empréstimos ao Executivo e aumente a carteira de financiamento ao setor privado, encarado como o verdadeiro motor da economia e da recuperação e diversificação económica a seguir à pandemia de covid-19.

Numa conferência sobre as Oportunidades de Negócio em Angola, a que assistiu Mercados Africanos, o diretor do departamento de Relações Internacionais do Ministério das Finanças angolano elogiou o envolvimento do BAD no país, mas destacou que o próximo passo do apoio deve estar virado para o setor privado.

“Estamos a trabalhar com o BAD para potenciar o apoio ao investimento privado, e tornar mais visível as oportunidades de financiamento que o banco proporciona”, disse Patrício Neto, numa intervenção em que lembrou que a carteira de investimento em Angola deste banco multilateral é de mais de 1,2 mil milhões de dólares.

Há muitas oportunidades, apontou, lembrando o programa de privatizações que o governo de João Lourenço está a levar a cabo, a aposta nas parcerias público-privadas para as infraestruturas mais relevantes, as reformas que visam melhorar o ambiente de negócios e tornar o país mais atrativo para os investidores externos e o aumento da transparência nas finanças, com o consequente combate à corrupção, um flagelo de imagem de que Angola ainda não se conseguiu dissociar.

Na conferência, o presidente da Associação Industrial de Angola, José Severino, confirmou os esforços que o Executivo está a fazer para incentivar a recuperação económica, mas apontou o dedo aos bancos e às exigências que frequentemente fazem para apoiar o financiamento aos projetos.

“Temos de facilitar a necessidade de apresentar estudos de viabilidade técnica e económica, porque um agricultor que sabe plantar batatas, e bem, não tem de saber fazer isto, e muitas vezes acontece que um bom projeto é chumbado na banca porque os estudos não estão bem feitos”, lamentou o industrial.

No final do seminário, que durou mais de quatro horas, o novo representante permanente do BAD em Luanda, Pietro Toigo, ficou com uma boa ideia do trabalho que tem pela frente. Este economista italiano era o representante do BAD em Maputo, tendo sido substituído em Moçambique pelo antigo ministro das Finanças da Guiné Equatorial César Abogo.

Angola deverá registar um crescimento económico perto de zero este ano, com o Fundo Monetário Internacional a prever mais um ano de recessão, com uma queda de 0,7%, e o Banco Mundial a estimar um crescimento positivo de 0,4%.

Independentemente de quem estará mais próximo, a verdade é que qualquer um dos números é muito abaixo do que Angola precisa só para acompanhar o crescimento demográfico, que nos últimos cinco anos se expandiu 17%, de acordo com as contas apresentadas por José Severino.

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