Angola sai da recessão, mas isso não chega.

O Banco Mundial prevê que a economia de Angola saia finalmente da recessão em que está mergulhada desde 2016 e cresça 0,4% este ano, acelerando para 3,1% no próximo ano.

As previsões estão no Pulsar de África, o relatório semestral que o Banco Mundial publica uns dias antes do início das reuniões de outono, em conjunto com o Fundo Monetário Internacional, e que este ano serão novamente marcadas pelo impacto da pandemia de covid-19.

As três maiores economias da região da África subsaariana (Nigéria, África do Sul e Angola) sairão todas da recessão este ano, mas a ritmos diferentes, diz o Banco, que aborda com algum pormenor a situação em Angola.

A principal conclusão: Angola sai da recessão, sim, mas isso não chega. Longe disso. “O país ainda está a tentar recuperar, com níveis elevados de dívida e com um fraco desempenho da indústria petrolífera”, o verdadeiro motor da economia, mas que nos últimos anos tem travado e não acelerado a economia do país como um todo.

Curiosamente, as previsões de saída da recessão aconteceram na mesma semana em que a ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, admitia numa entrevista à agência noticiosa Bloomberg que Angola pode continuar este ano a registar um crescimento negativo por causa da queda na produção petrolífera, que foi maior do que a subida dos preços, e por isso não teve um efeito positivo na economia.

O Banco Mundial, no entanto, prefere salientar que “apesar de enfrentar um declínio prolongado, o setor petrolífero teve uma ligeira melhoria na produção em julho face junho, quando passou de 1,07 milhões de barris por dia para 1,1 milhões”, ainda assim muito longe dos cerca de 2 milhões que chegou a produzir no início da década passada, quando ultrapassou a Nigéria como maior produtor da África subsaariana.

Não é de estranhar, por isso, que sejam setores como a agricultura ou o comércio a puxar pelo país, mas mesmo assim enfrentando muitas dificuldades por causa das restrições impostas pela pandemia, que obrigou também o Governo a aumentar a dívida para mais de 130% do PIB no ano passado e a imprimir medidas de austeridade que prejudicam o lançamento das infraestruturas capazes de sustentar o desenvolvimento económico e as necessidades das grandes empresas estrangeiras que queiram investir no país.

“A forte dependência de Angola do setor petrolífero prejudica as perspetivas de aumentar a receita e reduzir a dívida”, sentenciam os técnicos do Banco Mundial, que têm em curso um programa no país para melhorar o ambiente de negócios e ajudar a captar investimento externo, fundamental para relançar a economia.

Finanças sem capacidade para impulsionar economias

A incapacidade de Angola para imprimir estímulos financeiros que permitam relançar as economias não é propriamente um problema do governo, ou do país, mas sim da própria região.

“Por causa do limitado espaço orçamental, os países africanos não foram capazes de injetar o nível de resposta necessário para lançar uma política vigorosa de resposta à covid-19”, segundo o relatório lido por Mercados Africanos.

O montante, acrescenta-se, “é não só insuficiente, mas também significativamente mais pequeno quando comparado com as economias avançadas”, que já de si estavam mais bem preparadas para suportar a pressão nos sistemas de saúde e o recurso ao teletrabalho.

“Desde janeiro do ano passado, o apoio orçamental às pessoas e empresas na região ficou-se pelos 2,8% do PIB, o que compara com 17% nas economias avançadas”, diz o banco, concluindo que “alguns países, como Angola e Zâmbia, foram obrigados a aplicar medidas de austeridade quando a dívida se tornou insustentável”, e por isso, conclui-se no relatório, o crescimento na região “continua abaixo da média e abaixo do potencial”.

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