O Governo angolano abriu o seu espaço aéreo com São Tomé e Príncipe e retomou ontem 25 de janeiro as ligações comerciais com a capital são-tomense, depois de dez meses de suspensão devido à pandemia da Covid-19.

A retoma das ligações aéreas foi anunciada na capital são-tomense pela delegação da Transportadora Aérea Angolana, TAAG que, entretanto, não inclui nos planos de voos a ligação com Cabo Verde. Antes da pandemia, os aparelhos da TAAG faziam Luanda/São Tomé/Praia e vice-versa.

O anúncio da retoma dos voos foi precedido publicidades nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais, principalmente o Facebook, bastante seguido em São Tomé e Príncipe e na diáspora.

No entanto, a retoma dos voos Luanda/São Tomé/Luanda causou alguma apreensão nas organizações e instituições que apoiam o país no combate a propagação do novo coronavírus, entre as quais a Organização Mundial da Saúde.

Uma fonte governamental disse ao Mercados Africanos que o Ministério da Saúde “foi questionado com a pertinência” desta abertura do espaço aéreo entre as duas capital, numa altura em que a incidência da doença “ainda é bastante elevada em Angola”.

Devido a “preocupação” manifestada pela OMS, o Ministro da Saúde de São Tomé e Príncipe, Edgar Neves enviou uma carta ao seu colega do Ministério das Infraestruturas, Recursos Naturais e Ambiente, Osvaldo Abreu, aconselhando a suspensão de “todas a ligações de carater comercial a nível da região africana.

Na carta que o Mercados Africanos teve acesso, o ministro da saúde sugere que essa suspensão deve manter-se “até que se consiga reverter o quadro epidemiológico atual” em São Tomé e Príncipe.

Nesta carta, Edgar Neves refere também ao “recrudescimento de casos positivos da Covid-19” que vem sendo registados nas ultimas semanas, explicando que a suspensão das ligações áreas com os países da sub-região teria por objetivo “conter a propagação do vírus no país e salvaguardar a população”.

O assunto levantou preocupação e deu origem a uma mini reunião do Conselho de Ministros em que, de acordo com fonte governamental, participaram os dois ministros em causa, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades, Edite Tenjua, da Defesa e Ordem Interna, Óscar Sousa e da Presidência do Conselho de Ministros, Novas Tecnologias e Comunicação Social, Wando Castro.

As vertentes politica, económica e social deste caso dominaram as discussões a nível do governo e sobrepuseram-se às demais.

No âmbito politico foi tomada em consideração que São Tomé e Príncipe e Angola têm relações históricas, politica e económica bastante estreitas e datam de décadas.

Há pouco mais de duas semanas os dois países assinaram um acordo de isenção de vistos nos passaportes de serviços e ordinários, válido por um período de três meses e com possibilidade de prorrogação.

Angola investiu cerca de três milhões de dólares no único porto de São Tomé, além de outros 12 milhões na reabilitação do terminal de passageiros do aeroporto, há mais de cinco anos, capital ainda não recuperado.

Este país acolhe uma comunidade são-tomense superior 16 mil habitantes que estão impossibilitadas há dez meses de fazer transações comerciais com o país e seus familiares.

Angola encerrou na semana passada o seu espaço aéreo com Portugal, Reino Unido e Africa do Sul por causa do aumento da doença na Europa e neste país africano. Em contrapartida abriu com São Tomé e Príncipe.

Esses factos pesaram mais na decisão do governo de aceitar a abertura da sua fronteira aérea com Angola.

Uma medida que, aliás, já era previsível quando a ministra dos negócios estrangeiros e cooperação, Edite Tenjua anunciou que os dois países assinaram em finais de dezembro o acordo de supressão de vistos nos passaportes ordinários.

O governo são-tomense está empenhado na recuperação económica fragilizada pela pandemia e considera que o acordo de supressão de vistos nos passaportes ordinários assinado com Angola “potencia o turismo regional”, e é “um compromisso com relação a mobilidade”.

Quando esse acordo foi assinado ficou estabelecido um período de 30 dias para o seu arranque, garantindo a ministra que esse período daria “espaços” aos dois governos para que reatem essas ligações aéreas.

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