António Guterres enaltece Nzinga Mbandi.

António Guterres, o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), reconheceu e enalteceu, a bravura e resistência da rainha angolana Nzinga Mbandi.

O reconhecimento foi feito terça-feira dia 29 de Março de 2022, numa sessão da Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, EUA, na continuação do evento que marca o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravatura e do Comércio Transatlântico de Escravos, assinalado a 25 de Março de 2022.

 

A intervenção de António Guterres

A meio de um discurso ponderado, dando a entender que é lembrando o passado que aprendemos a conhecer o presente, António Guterres disse:

“Precisamos contar essas histórias de resistência justa – do Zumbi dos Palmares no Brasil … à rainha Nanny dos quilombolas da Jamaica … à Rainha Ana Nzinga do Reino do Ndgongo na actual Angola … a Toussaint Louverture de Saint-Domingue, no atual Haiti … e a muitos outros”.

“Também precisamos ouvir histórias das proibições do comércio de escravos, no imamato de Futa Toro, no atual Senegal, durante o reinado de Abdul Kader – muito antes de os movimentos abolicionistas ganharem força na Europa e nas Américas”, continuou Guterres.

“Nunca conheceremos cada ato de resistência – grande ou pequeno – que lenta, mas seguramente triunfou sobre a injustiça, a repressão e a escravização”.

“Mas esses relatos são cruciais para a nossa compreensão de um passado, cuja causa mais perniciosa e legado mais persistente mancha nosso presente: o racismo”.

 

Outras intervenções

Na sessão, realizada sob o tema “Histórias de coragem e resistência à escravidão e unidade contra o racismo”, além de António Guterres, também esteve presente o representante permanente adjunto de Angola na ONU, João Gimolieca,

Gimolieca afirmou que a data serve para destacar a herança demográfica, cultural e ideológica do continente africano.

Lembrou ainda que durante mais de 400 anos o continente africano viu os seus filhos (homens e mulheres) serem comercializados como escravos, através do Oceano Atlântico, para a América do Norte, América do Sul e Europa.

De acordo com o embaixador angolano, o tráfico transatlântico de escravos foi, certamente, a maior migração forçada da história, com cerca de 20 milhões de homens, mulheres e crianças como vítimas.

Acrescentou que a actual situação económica e social de África está intrinsecamente ligada às consequências do tráfico de escravos.

“A história mostra que o período entre os séculos XVI e XIX foi de estagnação económica para África, que ficou cada vez mais para trás do progresso económico à medida que os anos passavam”, sinalizou.

Afirmou, por outro lado, que, apesar das consequências económicas terem sido as mais evidentes, o comércio atlântico afectou gravemente a paisagem política de África e criou precedentes perturbadores para o futuro.

Politicamente, sublinhou, a intervenção brutal e arbitrária e as guerras resultantes das competições entre os governantes africanos rivais pelo controlo da captura e comércio de escravos deixou o continente em situação política frágil.

João Gimolieca fez saber que a Constituição da República de Angola condena os crimes contra a humanidade cometidos durante a escravatura e o tráfico transatlântico de escravos, causas da profunda desigualdade económica e social, ódio, fanatismo e racismo, que continuam a afectar pessoas afro-descendentes em todo o Mundo.

Além de António Guterres e do representante de Angola, intervieram na sessão representantes do Lesotho, em nome do Grupo Africano, Nauru (Ásia e Pacífico), México (América Latina e Caraíbas), Bélgica (Europa Ocidental e outros Estados), bem como EUA, Barbados, Haiti, Guiné Equatorial e a Federação Russa.

 

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Ver Também:

Nzinga Mbandi a N’gola Kiluanji, do mito à realidade

Imagem: © 2022 PBS & GBH Educational Foundation
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