BAD: África vai crescer 3,4% em 2021.

África vai crescer, ainda este ano (2021), segundo o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), regressando aos crescimentos positivos depois do pesadelo da pandemia de covid-19, expandindo as economias, em média, 4,3%.

O número é apresentado no relatório deste ano sobre as Perspetivas Económicas Africanas, divulgadas pelo Banco Africano de Desenvolvimento num extenso documento que elege como tema central para os próximos tempos a questão da dívida pública e o seu impacto na capacidade dos países para lidarem com a pandemia da covid-19.

“O banco tomou a decisão estratégica e visionária de discutir um tópico que pode tornar-se um problema central para a política económica a curto prazo”, disse o presidente do banco, Akinwumi Adesina.

“Precisamos de lidar com a dívida e os desafios ao financiamento do desenvolvimento de África em parceria com a comunidade internacional”, acrescentou o banqueiro.

“É preciso um apoio financeiro muito maior, e os credores do setor privado precisam de ser parte da solução; o tempo para arrancar com um último alívio da dívida é agora”, concluiu Adesina na mensagem de apresentação do relatório.

Divido em três capítulos, o primeiro aborda as consequências da pandemia de covid-19 na evolução das economias africanas, enquanto os outros dois dedicam-se ao tema da dívida pública dos países africanos, que este ano vai crescer até 15 pontos percentuais para cerca de 75% do PIB.

O valor, em comparação com o rácio nas economias mais desenvolvidas, nem é preocupante. Preocupante é a taxa de juro que é exigida aos governos africanos, quando se olha para os juros negativos ou à volta de zero que os países europeus, por exemplo, pagam, enquanto África vai crescer, mas tem de pagar perto de 10% para garantir financiamento para equilibrar os orçamentos arrasados pela pandemia.

No ano passado, a média das economias africanas regrediu 2,1%, o que atirou 30 milhões de pessoas para a situação de pobreza extrema, um número assustador que pode aumentar mais 39 milhões, este ano, se a pandemia não for controlada e se as medidas de recuperação económica não resultarem.

Só em necessidades adicionais de financiamento o BAD diz que o continente vai precisar de mais 154 mil milhões de dólares para responder à pandemia, que já fez mais de 100 mil mortos e 4 milhões de infetados no continente.

No relatório, o Banco defende que os países têm de, antes de mais, disponibilizar vacinas e implementar de forma abrangente o acordo de comércio livre que promete facilitar as trocas intrarregionais no continente.

Depois, os governos devem aprofundar a aposta na digitalização da economia, nomeadamente facilitando as condições para as pessoas ficarem em teletrabalho, parar além de usarem a oportunidade para reconstruir as economias de forma mais sustentável.

África vai crescer, mas não vai ser fácil, entre os principais riscos elencados no relatório que foi apresentado pelo Prémio Nobel da Economia Joseph Stiglitz estão o reaparecimento de uma nova vaga de infeções, o aumento da dívida pública, as limitações nos fluxos de capitais, uma descida no preço das matérias primas e a redução do turismo e das remessas, para além da eterna questão dos eventos climatéricos extremos.

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