O Banco Africano de Desenvolvimento, principal parceiro financeiro do complexo Noor Ouarzazate, a maior estação de energia solar do mundo com mais de 3.000 hectares de deserto no Marrocos, está a lançar um segundo projeto, gigante, de geração de eletricidade, desta vez no Sahel.

O projeto Desert-to-Power (D2P), quando concluído, transformará o Sahel numa das maiores zonas de geração de energia solar do mundo. O programa de 20 mil milhões de dólares visa produzir 10 gigawatts de eletricidade até 2025, fornecendo energia a 250 milhões de pessoas, das quais pelo menos 90 milhões serão conectadas à rede elétrica pela primeira vez.

Além de fornecer energia para uso doméstico, o D2P incluirá o desenvolvimento de mini-redes  fotovoltaicas para uso comercial e industrial. Também produzirá eletricidade em sinergia com programas agrícolas e de gestão de água.

O D2P cobre 11 países que vão do Senegal, no oeste, até Djibouti, no leste, compreendendo os países do G5 Sahel: Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger, bem como Djibouti, Eritreia, Etiópia, Nigéria, Senegal e Sudão.

A iniciativa teve o aval político dos chefes de estado do G5 Sahel na reunião de setembro de 2019 em Ouagadougou.

O D2P faz parte dos esforços de aceleração do BAD para enfrentar as mudanças climáticas em África, em particular promovendo energia renovável e reduzindo a dependência de combustíveis fósseis. O Índice de Vulnerabilidade às Mudanças Climáticas de 2017 estima que as mudanças climáticas resultarão numa perda anual de 2 a 4 por cento do PIB na região do Sahel até 2040. Os recursos do BAD dirigidos para financiar adaptação às mudanças climáticas e resiliência aumentaram cinco vezes nos últimos anos, passando de 338 milhões de dólares em 2016 para 2 mil milhões em 2019.

O compromisso do Banco com o setor de energia renovável ajudou a reunir grandes parceiros em apoio ao D2P, entre eles: o Banco Europeu de Investimento, a Agência Francesa de Desenvolvimento, a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), Power Africa (uma iniciativa dos EUA), Africa50 e o Fundo Verde para o Clima (GCF) que já se comprometeram a financiar e apoiar a iniciativa.

O apoio técnico do Banco para fortalecer a capacidade institucional necessária à gestão da produção e distribuição de energia solar também abriu caminho para investimentos do setor privado, motor importante para acelerar a implementação do projeto.

Em dezembro de 2020, o Banco Africano de Desenvolvimento dedicou a 4ª edição do Africa Energy Market Place (AEMP) aos países do G5 Sahel no âmbito da iniciativa D2P. Durante esta reunião, os países do G5 Sahel apresentaram seus respetivos aos parceiros técnicos e financeiros.

O objetivo é reduzir a dependência de combustíveis fósseis, aumentar a produção agrícola e, ao mesmo tempo, reduzir os custos e melhorar a subsistência dos agricultores.

Além de reforçar a resiliência às mudanças climáticas, a iniciativa D2P melhorará a percentagem de acesso à eletricidade na região e estimulará o desenvolvimento económico e social e as inovações no atendimento à saúde nos países de renda baixa do Sahel.

A falta de infraestrutura energética é considerada um dos principais obstáculos ao desenvolvimento e ao progresso na África.

A iniciativa D2P ajudará a estimular a realização de pelo menos quatro dos cinco pilares estratégicos do “High 5”  (5 prioridades) do Banco: ‘Iluminar e trazer energia a África’, ‘Industrializar a África’, ‘Integrar a África’ e ‘Melhorar a qualidade de vida dos africanos ‘.

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