A agência de notação financeira Moody’s manteve o ‘rating’ do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) no melhor nível, o que é uma excelente notícia para os países africanos que usam esta entidade financeira multilateral para garantir financiamento a baixo custo.

“O perfil de crédito do banco é sustentado nas robustas almofadas de capital e numa gestão de risco de nível superior, que mitiga os riscos”, escrevem os analistas na análise anual ao rating do banco, que assim mantém o ‘rating’ atribuído em outubro do ano passado.

O simples facto do BAD manter o melhor nível na opinião sobre a qualidade do crédito num contexto de dificuldades financeiras generalizadas por parte dos seus acionistas, os governos africanos, é, por si só, um enorme elogio à estratégia de gestão de risco por parte do banco liderado por Akinwumi Adesina.

“Uma ampla almofada de liquidez e acesso sem restrições aos mercados de capitais internacionais também garantem a capacidade do banco para servir as suas obrigações de dívida”, acrescentam os analistas da Moody’s” na análise anual à qualidade de crédito do banco.

“O rating AAA da Moody’s valida os fortes sistemas de governação e a gestão financeira e de risco prudentes mesmo quando confrontado com desafios duros colocados pela pandemia da covid-19”, comentou o presidente do banco africano.

“O extraordinário apoio dos acionistas do banco aumenta a nossa capacidade de financiar os países africanos, e vamos continuar a gerir os riscos e os requisitos de capital de forma adequada para ajudar os países africanos a reconstruírem melhor e mais rapidamente as suas economias, garantindo também uma resiliência económica, sanitária e climatérica”, acrescentou o nigeriano.

Adesina, um presidente que soma vitória atrás de vitória

A manutenção do mais elevado rating é a mais recente vitória de Akinwumi Adesina, que bem pode olhar para 2020 como um dos anos onde a sua credibilidade e o seu poder mais saíram reforçados.

À entrada para a pandemia, Adesina enfrentava uma onda de contestação interna, que se materializou numa queixa enviada ao comité de Ética do banco sobre não apenas a alegada prepotência do presidente, mas também sobre a atribuição de contratos a familiares e primazia dada a empresários e funcionários do seu país, a Nigéria.

O presidente foi ilibado, mas por pressão dos Estados Unidos as conclusões do comité de Ética acabaram por ser novamente revistas por uma comissão criada especificamente para o efeito e que incluiu a antiga presidente da Irlanda, Mary Robinson.

Adesina saiu novamente absolvido em toda a linha no relatório, que validou as conclusões iniciais do comité de Ética e deixou o presidente livre para concorrer ao segundo mandato, no qual todos os membros, regionais e não regionais, lhe deram o apoio, numa votação histórica e inédita.

Bem precisa o banco de apoio dos membros não regionais para o aumento de capital que está agora a ser consumado, e que surgiu na altura certa para lidar com as enormes necessidades de financiamento que os países africanos enfrentam.

“Nada pode impedir a nossa determinação coletiva para dar melhores oportunidades para todos, para criar esperança em milhares de jovens, para acabar com a pobreza extrema e para dar um futuro melhor, mais seguro e mais saudável para todos”, disse Adesina numa intervenção num fórum de alto nível, na semana passada, no qual admitiu que cumprir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável tornou-se agora mais difícil.

“Cumprir os Objetivos vai ser mais duro, o défice de financiamento para alcançar estas metas até 2030 está nos 2,5 biliões de dólares por ano”, acrescentou o banqueiro, chamando a atenção para o importante papel dos bancos públicos de desenvolvimento, que prometeram investir 4 mil milhões de dólares em África até 2021.

“Com volumes de 2,3 biliões todos os anos, os bancos podem colmatar 92% do défice de financiamento para alcançar os objetivos, e agora imagem: se esses recursos forem bem alavancados, com o setor privado, e alinhados com a agenda climatérica, podemos cumprir e ultrapassar, até, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e Climatéricos”, defendeu Adesina.

O presidente do maior banco multilateral africano já organizou este ano uma emissão de 10 mil milhões de dólares para financiar o combate à pandemia, e lançou no princípio do ano uma emissão de títulos ‘verdes’, isto é, para financiar projetos não poluentes, no valor de 3 mil milhões de dólares, a maior de sempre.

“Precisamos de um financiamento complementar, consolidado e coligado”, concluiu, apontando que são os bancos públicos de apoio ao desenvolvimento os que melhor podem garantir estas três características e defendendo as parcerias público-privadas como modelo privilegiado de investimento.

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