O Banco de Portugal considera que as economias africanas lusófonas são “particularmente afetadas” pelos impactos da pandemia de covid-19 por serem pequenas economias abertas e com elevado grau de dependência ao exterior.

No último relatório sobre a Evolução das Economias dos PALOP e Timor-Leste, o banco central português alerta que a situação desfavorável a nível mundial agrava as dificuldades que Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe atravessam num contexto de redução das receitas e de aumento das despesas para combater a propagação da pandemia de covid-19.

“Os seis países lusófonos em análise, como pequenas economias abertas com elevado grau de interdependência face ao exterior, são particularmente afetados por este enquadramento internacional desfavorável”, lê-se no relatório, que dá conta de um “impacto expressivo da pandemia nos níveis de crescimento económico, com repercussões sobre os equilíbrios orçamental e externo, seja pelo aumento da despesa, seja pela expectável redução das tradicionais fontes de financiamento externo”.

O relatório anual do Banco de Portugal, divulgado depois da reunião virtual com os governadores dos bancos centrais dos países lusófonos africanos, aponta que as dificuldades foram colmatadas, em parte, pela ajuda externa, mostrando que os credores e as instituições financeiras internacionais olham para os países com otimismo face à recuperação, sendo que já no próximo ano é previsível que todas as economias saiam da recessão que atravessam devido à pandemia.

“Importa notar que estes países beneficiaram de assistência externa por diferentes instituições multilaterais, na melhoria dos sistemas de saúde para responder à crise sanitária e no apoio às necessidades de financiamento do Estado”, diz o banco central português.

Sobre Angola, a maior economia lusófona em África e o segundo maior produtor na África subsaariana, o Banco de Portugal não esconde as dificuldades conjunturais do país, que agravam os problemas estruturais, mas sem limitar o potencial de crescimento.

“As perspetivas económicas para Angola deterioraram-se significativamente e 2020 será o quinto ano consecutivo em recessão”, apontam os peritos portugueses, acrescentando que “ao impacto da crise sanitária na atividade económica somam-se os efeitos de uma contração sem precedentes da procura por energia e o colapso dos preços do petróleo, choques substanciais sobre os termos de troca de uma economia em que o setor petrolífero representava 30% do PIB e mais de 95% das exportações em 2019”.

A recessão, diz o Banco, deverá levar ao adiamento de investimentos estratégicos no país, apesar do “esforço consistente de contenção da despesa primária e mobilização de receita não petrolífera”, uma política reforçada pelo apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI).

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