O acesso ao dinheiro vivo foi restringido devido ao confinamento total ou parcial que viveu e ainda vive o continente africano, com a maioria dos bancos esforçando-se para incentivar os seus clientes a optar por pagamentos sem dinheiro vivo, como uma medida de segurança devido ao medo de contrair o vírus ao tocar superfícies infetadas.

Será isto o princípio do fim do dinheiro vivo nas nossas sociedades africanas?

Creio que não, embora o confinamento e o desconfinamento parcial estejam a dar um grande “empurrão” às transações digitais.

Nos últimos anos, muitos bancos africanos têm mudado a maneira de fazer negócios, sobretudo devido as ameaças das operadoras de telemóvel que desde o aparecimento do M-PESA no Quénia, tem vindo a ocupar parte do mercado bancário tradicional.

No entanto a transformação para o digital não tem sido fácil para os bancos tradicionais devido à complexidade dos sistemas e infraestrutura das tecnologias de informação mas também aos aspetos legais e laborais já que funcionários temem pelos seus emprego.

Há quem se refira também a bloqueios culturais, eu não acredito, pois presenciei em vários mercados tradicionais das grandes cidades africanas, como as vendedoras utilizam telemóveis para efetuar pagamentos.

Com uma ampla rede de revendedores, as operadoras de telemóvel cresceram consideravelmente no espaço de alguns anos, o que levou os bancos africanos a lançarem-se no digital, antes que as legislações dos diferentes países mudassem, permitindo as operadoras de telefonia móvel agir como um banco.

Para ultrapassar esses obstáculos vários bancos associaram-se a empresas que oferecem tecnologias financeiras (FinTech na sua sigla em Inglês ) agregando, assim, à experiência, marca, confiança e reputação, usufruindo de parceiros com conhecimentos digitais ágeis e fiáveis que lhes permitirão fazer a ponte para o digital.

Questão fundamental a segurança dos sistemas e vários casos atestam que é necessário melhorar a resiliência de seus sistemas de teste antes que novas tecnologias e atualizações sejam lançadas.

Os sistemas devem ser capazes de lidar com volumes cada vez maiores de transações, à medida que o uso de dinheiro vivo diminui.

No entanto essa digitalização deve ser inclusive e adaptável a fim de não deixar para trás clientes com dificuldades de adaptação tecnológica, que vivem em comunidades mais remotas dos centros urbanos, com menos recursos, com conexões de internet menos fiáveis e aqueles que precisam de outras pessoas para lhes fazer as compras e não menos importante oferecer formação para grupos da sociedade que atualmente dependem de dinheiro vivo, para garantir que eles não sejam deixados para trás.

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