O Brasil e a segurança alimentar nos Trópicos.

Em cenários de grandes incertezas, como o que vivemos atualmente, ocasionados pelos pós pandemia e a guerra da Ucrânia, afloram ainda alguns desafios estruturais para humanidade. A segurança alimentar é sem dúvida um desses desafios que ainda persistem para serem resolvidos, assolando vários países emergentes.

O Brasil, tem a capacidade tecnológica, para aumentar a segurança alimentar nos países do Cinturão Tropical do Planeta. A experiência adquirida pelo país nos últimos 50 anos, transformou a agricultura brasileira e o capacita para essa missão desafiadora, abrindo perspectivas concretas para acabar com a fome no mundo na próxima década.

O CIITTA (Centro Internacional de Inovação e Transferência de Tecnologia Agropecuária), organização criada por instituições públicas brasileiras e pela Fundação Getúlio Vargas, estão à frente de uma iniciativa que permitirá, de forma organizada e coordenada, oferecer aos países emergentes, a transferência de know-how agropecuário que o Brasil possui, para implementar uma produção de alimentos sustentável e competitiva.

 

Os problemas da atualidade

Ultimamente temos presenciado acontecimentos sociais decorrentes da crise alimentar que se instalou em várias economias emergentes pelo mundo, como por exemplo: protestos de ruas, revoltas populares, políticas etc.

Estes acontecimentos, além de expor o quadro de insegurança alimentar em que vivem diversas pessoas, podem culminar com a derrubada de governos, tal qual como aconteceu recentemente no Sri Lanka.

No universo das economias emergentes, calcula-se que aqueles países com maior risco de inadimplência (possibilidade que ocorra o calote da dívida externa) e que estão sujeitos a enfrentar crises humanitárias, representam 18% da população global, ou 1,4 bilhão de pessoas.

 

As cadeias produtivas

A conjuntura internacional pós-pandemia e a guerra da Ucrânia, desestabilizaram as cadeias produtivas em todo o mundo e, impôs aos países importadores de alimentos, um preço muito alto a pagar pelas commodities agrícolas, situação agravada pela alta dos juros internacionais. Esses países, há tempos, carecem de uma política de segurança alimentar eficiente.

Na figura 1, o gráfico da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), exemplifica bem a situação mundial, mostrando os indicadores de preços de alimentos globais nas máximas históricas.

Descontando o poder de compra da moeda, os alimentos subiram mais de 50% em termos reais, em relação ao início de 2020, pré-pandemia.

FIG.1

Fig 1

Sendo assim, parece evidente e urgente a necessidade de vários países emergentes em diminuir a dependência das importações de alimentos.

Considerando que a maioria desses países estão situados na região do cinturão tropical do planeta, abra-se uma interessante janela de oportunidade para o Brasil.

O país, atualmente, é o único com conhecimento técnico suficiente capaz de oferecer um pacote tecnológico agropecuário completo, robusto, consistente e apropriado para produzir alimentos de maneira competitiva e de qualidade nessa região do planeta.

 

O CIITTA

Nesse contexto, o CIITTA – Centro Internacional de Inovação de Transferência de Tecnologia Agropecuária, e seus parceiros, reúnem um impressionante acervo de conhecimento técnico e prático, voltado para desenvolver e implementar projetos de produção de alimentos.

O mais alto know-how brasileiro agropecuário, foi organizado e estruturado no CIITTA, entidade sem fins lucrativos que, conta com a cooperação técnica de renomadas instituições públicas, além de empresas privadas de reconhecida competência.

Possui uma gestão profissional com amplo escopo de atuação nas cadeias de produção de alimentos, desde a produção agropecuária até o beneficiamento dos produtos, passando por ferramentas de gestão empresarial, sustentabilidade socioambiental, entre outros.

É imperativo aumentar a segurança alimentar dos países emergentes, não só por questões humanitárias como para manutenção da paz social, principalmente daqueles países mais vulneráveis localizados no continente africano.

Para esse efeito, o Brasil, através de seu pacote tecnológico organizado pelo CIITTA, tem muito a contribuir com esse objetivo.

Por exemplo, nos trabalhos desenvolvidos em Moçambique no ano de 2017, que culminaram na introdução da mecanização agrária e no uso de insumos apropriados, a produtividade de milho amarelo e de soja convencional subiram mais que 100% na primeira safra, em relação a média nacional e, continuaram subindo nos anos subsequentes.

Segundo a FAO, para atender a demanda por alimentos no ano de 2050, a produção mundial deverá crescer 61%, com participação de 41% do Brasil nesse total, ou seja, possuímos um papel crucial nesse cenário mundial, não somente de aumentar a nossa produção de alimentos, mas também de ajudar outras nações a fazê-lo, criando um futuro alimentar sustentável para humanidade.

 

A FGV Europe

A FGV Europe é um escritório de representação internacional do Think Tank brasileiro da Fundação Getúlio Vargas. Foi criado como uma porta de entrada para a transferência de conhecimento e inovação entre o Brasil e o mundo e oferece serviços de pesquisa e consultoria para o setor público e privado como organizações que desejem implantar as suas ideias no Brasil e vice-versa.

Coopera com instituições científicas e empresas, para desenvolver tecnologia e projetos de transferência de conhecimento, fornecendo uma contribuição para o caminho do desenvolvimento sustentável do Brasil, permitindo aumentar a produtividade económica, enquanto protege e melhora o meio ambiente local, a biodiversidade e a qualidade de vida.

 

Conclusão

A atual conjuntura mundial escancarou o problema da fome no mundo, e ressaltou a urgência de encarar o desafio da segurança alimentar nos países emergentes. A erradicação da fome é indispensável para a paz social e para um futuro mais justo e equilibrado do planeta e seus habitantes, principalmente naqueles países situados no cinturão tropical do planeta que, há muitos anos, sofrem com esse flagelo.

O pacote tecnológico brasileiro, aplicado em projetos sustentáveis, pode representar a ponta de lança de uma iniciativa promissora, para alimentar e melhorar a nutrição de milhões de pessoas no mundo.

 

O que achas deste problema? Concordas que o Brasil possa ter uma solução? Queremos saber a tua opinião, não hesites em comentar e se gostaste do artigo partilha e dá um “like/gosto”.

 

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Autor

  • Presidente do CIITTA (Centro Internacional de Inovação e Transferência de Tecnologia Agropecuária) e responsável pelo desenvolvimento de projetos da FGV Europa na região tropical do planeta.

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