Entidades ligadas ao agronegócio brasileiro estão a planear criar um amplo programa de difusão e formação profissional cujo objetivo é capacitar 6 mil técnicos nigerianos, tornando-os capazes de impulsionar agricultura e a pecuária na Nigéria.

Os cursos estão sendo criados numa ampla parceria que envolve o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), entidade que faz parte do sistema da Federação a Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (FAEMG), o Centro Internacional de Inovação e Transferência de Tecnologia Agropecuária (CIITTA) do Grupo Agronelli, a Fundação Getúlio Vargas, o Governo da Nigéria, um banco da Arábia Saudita e empresas do setor de máquinas e tecnologia agrícola.

Caio Sérgio Santos e Oliveira, gerente regional do Sistema FAEMG/SENAR/INAES em Uberaba, que liderou parte do desenvolvimento do projeto, explicou ao Mercados Africanos que o programa ainda não foi finalizado, mas a expectativa é de que os primeiros técnicos nigerianos iniciem seus treinamentos no Brasil no primeiro semestre de 2021.

“Neste exato momento estamos na fase de estruturação e arranjo de todo o conteúdo que será trabalhado nas qualificações que vamos fazer (…) Há a expectativa de começarmos a desenvolver os treinamentos no primeiro semestre de 2021”, pontuou.

Segundo o especialista, a meta é capacitar 6 mil profissionais que trabalham no agronegócio da Nigéria, cerca de mil deles ainda em 2021, que serão divididos em três categorias: gestores, operadores de máquinas e implementos, e técnicos de campo.

Após o treinamento, estes profissionais deverão atuar em 780 postos de serviço planeados para atender os produtores rurais de todo território nigeriano.

“Estes postos servirão como ponto de apoio aos produtores rurais em ações de capacitação profissional e assistência técnica”, explicou o gerente regional do Sistema FAEMG/SENAR em Uberaba.

Difusão e adaptação de técnicas do Brasil para a realidade da Nigéria

Liziana Rodrigues, coordenadora Formação Profissional Rural e Promoção Social do SENAR, frisou que a formação dos técnicos nigerianos no Brasil deverá atingir um público maior do que o previsto já que os participantes servirão como disseminadores das técnicas adquiridas dentro do seu país.

A especialista também adiantou que o programa de ensino debatido pelo SENAR e seus parceiros contará com aulas presenciais e atividades online.

“Nossa proposta é que seja feito um sistema híbrido, com uma parte dos cursos presenciais, ainda estamos decidindo como será feita esta logística, mas haveria este momento presencial para que os profissionais nigerianos possam ter um contacto prático com as coisas, para saberem como é feita operação das máquinas e manejos dentro da pecuária”, disse Liziana Rodrigues.

“A metodologia de ensino que aplicamos há vários anos no SENAR é baseada na ideia de ensinar a fazer [o trabalho] fazendo. Assim, não teríamos como aplicar nossa teoria apenas em cursos online”, acrescentou.

Questionados se as barreiras linguísticas que separam o Brasil, país onde se fala português, da Nigéria, que adota o inglês como língua oficial, podem prejudicar a disseminação dos conteúdos, os dois gestores avaliaram que não.

Ambos reconheceram que o maior desafio do projeto será adaptar conhecimento acumulado no Brasil à realidade africana.

“Estamos conversando muito com nossos parceiros para entender quais são as demandas e saber como conseguiremos adaptar o conteúdo dos cursos. Não adianta colocarmos um conteúdo sobre plantação de um tipo de banana se a fruto que eles vão plantar lá [na Nigéria] será de outra espécie”, frisou Liziana Rodrigues.

“Hoje a África tem sido vista como uma oportunidade de negócio, talvez não para agora, mas para um futuro próximo, com grande possibilidade de aumento de produção agrícola. O desenvolvimento de uma parceria neste momento será muito bom para nós. Além disso, temos a possibilidade de colher, em um segundo momento, benefícios com algum tipo de comércio, algum tipo de troca de produtos”, completou a especialista.

Já Caio Sérgio Santos e Oliveira ressaltou que o programa de formação deve estimular a transferência de tecnologia entre o Brasil e a Nigéria.

“Isto abre novos horizontes para negócios entre os dois países. É uma soma de esforços que fazemos, também para promover uma melhoria de qualidade de vida para o produtor rural da Nigéria”, concluiu.

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