“O procurador militar no Tribunal Militar de Ouagadougou informa a opinião nacional e internacional que o julgamento dos acusados no caso do assassinato do Presidente Thomas Sankara e dos seus doze companheiros será aberto na segunda-feira, 11 de Outubro de 2021 a partir das 9:00 horas (GMT e locais)”, refere um comunicado enviado na terça-feira à agência de notícias AFP.

O antigo presidente do Burquina Faso, Blaise Compaoré, exilado, será também julgado pelo homicídio do seu antecessor no cargo, Thomas Sankara, durante o golpe de Estado de 1987, no qual tomou o poder, segundo fonte judicial.

34 anos depois vai iniciar-se o processo que trará luz e justiça ao que se passou a 15 de outubro de 1987 na capital do Burquina Faso, dia em que foi assassinado Thomas Sankara ̶  um capitão muito popular entre as tropas e no seio da população ̶  pan-africanista, líder político e o quinto presidente desde a Independência da França e o primeiro desde que  ̶  ele mesmo  ̶  tenha proposto mudar o nome do país de Alto Volta para Burquina Faso que significa  ̶ terra de pessoas íntegras  ̶ nas duas línguas mais faladas do país, Mossi e Díola.

Sankara, que era conhecido e respeitado sobretudo pelos jovens nos países vizinhos tinha-se proposto como tarefas de erradicar a corrupção, a luta contra a degradação ambiental, o empoderamento das mulheres, e aumentar o acesso à educação e cuidados de saúde, com o objetivo maior de eliminar resquícios da dominação colonial francesa.

Apesar do pouco tempo que governou o Burquina Faso, implementou com sucesso programas que muito reduziram a mortalidade infantil, aumentaram as taxas de alfabetização e frequência escolar e combateram a desertificação.

Impressionante para a época, foi o número de mulheres que ocuparam cargos governamentais e de destaque.

Ao longo dos quatro anos em que dirigiu o país, Sankara, insistiu sobre a autossuficiência económica do Burquina Faso, mas apesar dos grandes avanços que foram feitos, havia forte oposição interna, em parte por causa dos problemas económicos do país e, em parte, porque a política externa independente e as políticas sociais desagradavam aos setores mais conservadores do país e também a certos países vizinhos, especialmente Costa do Marfim para além da França.

Estamos em 1987, em plena “guerra fria”, num contexto económico difícil e ao reforçar os laços com Jerry Rwalings do Gana, Samora Machel de Moçambique  e sobretudo ao enfrentar direta e publicamente o presidente francês, Mitterand, no apoio da França ao regime do apartheid na Africa do Sul, o destino de Sankara, estava traçado.

O golpe de estado que levou ao seu assassinato foi liderado pelo seu aliado e companheiro Blaise Compaoré.

A morte de Sankara, que se tornou uma figura pan-africana, foi um assunto tabu durante os 27 anos de poder de Compaoré, que foi ele próprio derrubado por uma insurreição popular em 2014.

Considerando que Blaise Campaore também tem nacionalidade da Costa do Marfim, aonde reside, e como não existe acordo de extradição, resta saber, quais serão os mecanismos legais que o tribunal do Burquina Faso vai utilizar para se assegurar que Balise Campaore, também se sente no banco dos acusados, e não seja julgado à revelia.

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