Nesta segunda e última parte, o presidente da Associação para a Defesa do Consumidor (ADECO), Marco António Cruz, em entrevista ao Mercados Africanos, a propósito do 23° aniversário da ADECO, assinalado a 20 de maio, afirmou “Podemos dizer que, embora este espírito de comemoração, esse balanço positivo, mas a ADECO ainda está em fase de instalação em Cabo Verde”, acrescentando que a associação quer dar um salto de qualidade e atingir outro nível no país.

Para isso, disse que é preciso ter cada vez mais profissionalização dos quadros, que começaram mais num regime de voluntariado, muito antes da criação da lei de defesa do consumidor e de várias agências de regulação no arquipélago.

E para a ADECO dar o salto que pretende, o presidente deu conta que já fez uma proposta ao Governo para aumentar o subsídio do Estado dos atuais um milhão de escudos anuais para oito milhões de escudos anuais, ou seja oito vezes mais “para começar”.  “A ADECO não pode continuar a desempenhar o seu papel se ele não tiver recursos. Eu creio que é obrigação do Estado, ainda, criar as condições para que tenhamos uma ADECO forte”, entendeu.

O dirigente considerou que a associação deve ser encarada como uma agência de regulação, dada à demanda de serviços prestados a várias instituições, inclusive ao Governo, com pareceres, e ao serviço público que presta aos consumidores, que estão cada vez mais informados e cientes dos seus direitos e deveres.

Por isso, é taxativo: “Os recursos que nós temos não satisfaz”. Ainda não obteve resposta do Governo, mas está esperançado no desfecho positivo, para a associação fazer um trabalho satisfatório e que a sociedade quer. “O que a ADECO está a pedir não é nada”.

Na entrevista, o presidente da ADECO analisou ainda o período em que a associação trabalhou em plena pandemia, reconhecendo que tem sido “bastante desafiante” tanto para o consumidor como para o prestador de serviços, mas que abriu oportunidades para a digitalização da economia.

“São questões que vieram trazer desafios, mas nós temos de estar do lado do consumidor e de pressionar para que as alternativas sejam criadas, porque nós estamos em pandemia, mas os direitos do consumidor não podem ficar de quarentena. Mesmo nestas condições, é preciso que achemos soluções para que o atendimento seja feito de forma satisfatória”, terminou.

Marco António Cruz chegou à presidência da Associação para a Defesa do Consumidor de Cabo Verde em dezembro de 2020, substituindo António Pedro Silva.

Ricardino Pedro

(segunda e última parte)

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