A Cabo Verde Airlines, companhia aérea privatizada pelo Governo cabo-verdiano em março de 2019 e liderada por investidores islandeses, vai endividar-se em 2,8 milhões de euros, com aval do Estado, antes de tentar retomar a atividade, suspensa há mais de sete meses pela pandemia de covid-19.

Conforme resoluções publicadas pelo Governo em 03 de novembro, aprovando o aval do Estado a ambos, os empréstimos serão concedidos pela Caixa Económica de Cabo Verde, a título de emergência, para pagar salários em atraso, no valor de 100 milhões de escudos (900 mil euros), e pelo International Investment Bank (IIB), de 218 milhões de escudos (1,9 milhão de euros), também para pagar “juros vencidos” de outros empréstimos.

“Sem operar há alguns meses, a empresa continua a ter compromissos a honrar, como é o caso das manutenções regulares das aeronaves, o pagamento dos salários aos seus colaboradores, o cumprimento dos seus compromissos com créditos bancários, entre outros”, admite a resolução aprovada pelo Governo.

Em março de 2019, o Estado cabo-verdiano vendeu 51% da então empresa pública TACV (Transportes Aéreos de Cabo Verde) por 1,3 milhões de euros à Lofleidir Cabo Verde, empresa detida em 70% pela Loftleidir Icelandic EHF (grupo Icelandair, que ficou com 36% da CVA) e em 30% por empresários islandeses com experiência no setor da aviação (que assumiram os restantes 15% da quota de 51% privatizada).

O Governo concluiu este ano a venda de 10% das ações da CVA a trabalhadores e emigrantes, mas os 39% restantes, que deveriam ser alienados em bolsa, a investidores privados, vão para já ficar no domínio do Estado, decisão anunciada pelo executivo devido aos efeitos da pandemia de covid-19.

O arquipélago de Cabo Verde esteve encerrado a voos comerciais regulares internacionais de 19 de março a 12 de outubro, mas a CVA, que conta com cerca de 300 trabalhadores e que até final de 2019 representava 8% do PIB do país, ainda não anunciou qualquer plano para a retoma da atividade. Antes, a administração liderada pela Icelandair insiste na necessidade, que já apontava antes da pandemia de covid-19, de um empréstimo de longo prazo com apoio do acionista Estado, para garantir a sustentabilidade económica da companhia, que pretende continuar com a instalação na ilha do Sal um ‘hub’ para os voos entre África, Europa e América.

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