Nesta terceira parte da entrevista exclusiva ao Mercados Africanos, Dai Varela, docente universitário e gestor de conteúdos, apesar da falta de estudos de mercado, explica a tipologia, comportamento e extrato socioecónomico dos clientes do comércio digital,

MA: É possível classificar o tipo de pessoas que procura ou disponibiliza produtos online?

DV: Não havendo pesquisas de mercado visando conhecer o comportamento do consumidor online torna-se difícil classificar os diferentes tipos de perfis.

E isso é tarefa da Academia para ajudar a entender os processos de compra nesses ambientes, bem como os aspetos comportamentais e emocionais destes consumidores.

Áreas como Psicologia e Marketing ou Comunicação (cursos que já existem em Cabo Verde) podem ter este campo de estudo para melhor conhecer o comportamento de compra do consumidor.

E é preciso levar em conta que esta é uma informação extremamente importante para se atingir os potenciais clientes e gerar lucros. Temos então uma nova media e um novo canal de vendas interativos e sobre as quais se sabe pouco.

Claro que através de uma política estratégica de marketing de relacionamento ou a utilização da figura do cliente oculto pode-se conseguir elementos que nos ajudam a traçar o perfil de potenciais consumidores.

De uma forma intuitiva pode-se inferir que o consumidor digital em Cabo Verde prefere conteúdos leves e rápidos, mas de fácil assimilação, para além de informativos.

Ele está disposto a comprar sem ver ou pegar o produto antes e isso acontece mesmo nas compras entre pessoas físicas no ambiente online, sem ser transações com empresas.

Esta baixa orientação experiencial mostra que ele tem menor aversão ao risco na compra. Este comprador online estará nos extratos mais elevados em termos socioeconómicos e com acesso aos cartões de débito ou Vinti4.

Para além disso, ele tem mais locais de acesso à rede (em casa, no trabalho, no dispositivo móvel…) e um maior conhecimento da Web para encontrar informações sobre produtos e serviços.

Deve-se ter em conta que este perfil elitizado não é apenas em Cabo Verde, mas é comum a diversos países. E este público está a comprar, numa tendência crescente, verificando-se um aumento das compras online em Cabo Verde em 2019, de 33,3% em quantidade e 52,4% em valor, face ao ano anterior. Em termos globais, as compras online atingiram 67.779 operações, no valor de 476,2 milhões de escudos, conforme o Relatório do Banco de Cabo Verde. Não obstante a evolução positiva dessa funcionalidade, ela continua a ter um peso ínfimo no total de compras com cartão (0,4% em quantidade e 0,9% em valor desse total).

Quanto a quem disponibiliza produtos online temos empresas com website e páginas nas redes sociais, empreendedores com páginas nas redes e pessoas físicas que anunciam nestas páginas, apostando no marketing personalizado. Não existem aplicativos de compras nacionais.

Veja a entrevista Parte 2

Veja a entrevista Parte 1

Ricardino Pedro

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